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Garota Mexicana

Tinha comprado minha passagem, e estava esperando pelo ônibus para
L.A. quando, de relance, vi a mais deliciosa garota mexicana; ela passou bem à
vista, de calças compridas. Estava num dos ônibus que acabara de chegar, entre
suspiros ruidosos do freio a vácuo; os passageiros desciam para um descanso. Os
seios dela apontavam para a frente, retilíneos e indubitáveis; seus quadris
pareciam deliciosos, seu cabelo era longo, lustroso e negro, seus olhos eram duas
coisas azuis imensas, com certa timidez lá dentro; eu daria tudo para estar no
ônibus dela. Uma angústia trespassou meu coração, como acontecia sempre que
via uma garota pela qual estava apaixonado indo na direção oposta, neste mundo
grande demais. Os alto-falantes chamaram os passageiros para L.A. Apanhei
minha sacola e embarquei, e quem estava sentada lá, sozinha, senão a garota
mexicana? Sentei-me justamente do lado oposto do corredor, e comecei
imediatamente a maquinar um plano. Eu estava tão solitário, tão cansado, tão
sobressaltado, tão triste, tão alquebrado, tão arrasado, que consegui reunir
coragem, a coragem necessária para abordar uma garota desconhecida, e agir.
Ainda assim, passei cinco minutos comprimindo minhas coxas na escuridão,
enquanto o ônibus rodava pela estrada.

Você tem de fazê-lo, ou morrerá! Seu estúpido idiota, fale com ela! O que
há de errado com você? Já não está cansado de si próprio? E, antes que pudesse
perceber o que estava fazendo, debrucei-me sobre o corredor até ela (que estava
tentando dormir na poltrona) e disse: — Moça, você gostaria de usar minha capa
de chuva como travesseiro?

On The Road (Jack Kerouac), pág. 109

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Molho Barbiekill

Durante os dois anos em que morei em Guaratinguetá/SP costumávamos nos reunir na praça de alimentação do shopping pra tradicional rodada de chopp de vinho. Sim, era isso que fazíamos antes de voltar a dura rotina semanal. Mas antes de efetivamente partir eu tinha que ter mais uma amostra de que tudo aquilo valia a pena. Pra isso eu tinha que atravessar a praça e encarar o movimento, avistar do outro lado um trailer tímido parado junto à calçada e procurar pelo Marcos. Feito isso, era só pedir o já costumeiro X-EGG e esperar, avaliar a brisa que balançava as árvores em uma já fria noite paulista.

Esse lanche era praticamente um soco que te deixava fora da realidade, não por ser feito com especiarias asiáticas ou pelo lombinho canadense, não por isso. Seus ingredientes eram simples mas muito saborosos, dentre os quais eu não me esqueço do pão prensado e que se transformava em uma capa levemente crocante, quase como uma proteção natural pra uma eventual dependência gastronômica que viria a surgir. O outro ingrediente marcante era a simples maionese, normal, branca como as outras. Não sei porque eu nunca perguntei a marca ou origem daquele produto, me sentia satisfeito só em sentar ali e provar aquela perfeita combinação e aquela textura (sim) que diferenciava aquele molho dos outros já provados. Claro, um lanche só é respeitado se vier com uma estratégica adição de milho verde.

Impossível não lembrar da quarta temporada de HIMYM quando o desesperado Marshall sai à procura do seu burger preferido de todos os tempos, percorrendo toda a NY com seus amigos em seu encalço. Hilário demais ver a Robin ter que revirar lixo pra conseguir qualquer resto de comida. Infelizmente não consegui encontrar o episódio pra anexar aqui, mas vale a pena ver a série toda.

Curiosamente, passei no Papo de Homem e o pessoal de lá também estavam lembrando dos sanduíches mais marcantes e imperdíveis do mundo. Tem dica de Curitiba, Floripa, São Paulo, Rio, Minas, interior do Maranhão e, claro, do Rio Grande. Há quem diga também que Berlim, Porto, Paris e Nova Iorque escondem verdadeiras preciosidade nessa iguaria prima da culinária universitária. Vale a pena conferir, viajante brasileiro.

Tem gordo com frenesi na cadeira, aposto.

PS.: Quando passei pelo Mercadão de SP quis fazer moda e experimentar algo “tradicional” e optei pelo pastel paulistano. Depois de ler a matéria fiquei com a consciência tão pesada que só voltando lá e entupindo minhas veias de mortadela pra eu alcançar a paz interior novamente.

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