The Ugly Thuth

Todo vegetariano é fresco. Já viu alguém com os dentes brilhando ir ao dentista só porque é recomendável que façamos isso periodicamente? Não acredito em preservação da saúde, isso pra mim é tudo besteira. Tudo que a gente faz é baseado no retorno que o nosso corpo e mente nos dá, a nossa estrutura de vida é toda mapeada pelo espelho e maquiada pela nossa suja e leviana ignorância. Queremos ser vistos, notados, desejados e invejados. Eu não estudo línguas pra me dar bem no trabalho, isso não seria prioridade se o nosso raciocínio parasse aí. O interessante desse elo é que uma coisa puxa outra e ser bem sucedido implica em ter bom emprego, bom carro, dinheiro na carteira e ser influente também. E tudo isso nos leva àquele buraco maravilhoso em que Nostradamus profetizou que encontraríamos o tesouro – o que, de fato, se cumpriu. Planejamos a semana toda, nossos sonhos e passos unicamente pra realizarmos o desejo mais primitivo e simples, queremos manter eterna a profissão (não remunerada) mais antiga do mundo.

Acho hipocrisia também quando ouço que as mulheres se aprumam pra impressionar às outras. Tudo mentira deslavada! Se isso for mesmo verdade não vejo um único obstáculo que nos impeça de construir um mundo novo e lésbico. Seria isso tudo um impasse de admitir que realmente estão desejosas de conquistar todos os corpos do mundo mas ainda não estão preparadas pra lidar com o machismo que ainda impera, infelizmente. As mulheres então quando planejam algo em benefício próprio podem se perder completamente: bronzeamento artificial, peeling, depilação, clareamento dentário, DIETA, pompoarismo, lipoaspiração, silicone, alisamento tailandês, francesinha, cílios postiços, valorização labial (lá mesmo!), roupas de verão/inverno/praia/colegial/jardim. SAPATOS. Maquiagem, tatuagem, pilantragem e fofoca. Tudo isso pra se dar bem perante a concorrência. Nossa, fiquei até tonto imaginando isso.

Homens: banho + tênis, jeans, camiseta + cerveja = SOU FODA (na cama te esculacho).

Os meninos são mais práticos: jogam futebol, videogame e passam horas em seus quartos treinando aquela maldita escala pentatônica só pra chegar o dia em que eles serão os mais fodas do mundo e estarão passos largos à frente de seus concorrentes em busca do prêmio maior. Trabalham duro pra se vestirem bem e pra marcar ponto nas baladinhas mais quentes do momento. E claro, se possível vão pra Europa só pra tirar foto com pose babaca pra fazer inveja em todo mundo com aquela legenda que nem ele mesmo sabe o significado.

Existem os marombas de plantão, os escritores frustrados e os caminhoneiros sujos de graxa. Mas não importa, no fim estão todos em busca do mesmo propósito que fez Adão perder uma costela, sendo obrigado a comer uma maçã envenenada pra amenizar a dor daquela provação. Um brinde ao visionário!

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É Froyd admitir mas é verdade

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Hammer Flamejante

Não gosto de gente mimada. Odeio quem se gaba por algo que se têm sem ter levantado um puto pra conseguir isso – esse é o tipo de pessoa que eu desprezo. Prefiro os indefesos, os incapazes e abandonados pela sorte e o sistema. Quem disse que não se deve chamar aquela garota esquisita pro esquenta só porque ela é isolada? Nunca se sabe os segredos que a terra guarda até que a gente vá lá e os descubra com nossas próprias mãos, já cansei que achar minas de ouro mergulhadas no brejo. Nunca pare na etiqueta, vá além e faça esse favor à humanidade mas antes, claro, se esbalde até cansar.

Lembro até hoje de um lance no Ensino Médio: prova de surpresa de física, todo mundo bombou exceto eu. Na saída da aula várias pessoas vieram me cumprimentar e tentar desvendar o segredo do sucesso. Bando de tolos! Mas eu só procurava uma brecha na bajulação pra destilar um pouco de veneno até que em certo ponto me dei conta que havia um grupo de garotas nerds chorando no canto da sala. Me aproximei e a questionei o motivo da amargura na tentativa de ajudar com algum pensamento puritano. Para a minha surpresa, tomei um choque com aquela cena um tanto bizarra mas puramente linda: lágrimas escorrendo pros trás dos óculos e aqueles olhos claros e brilhantes me encarando por vários minutos. Foi uma das vezes em que eu realmente notei que esse tipo de devoção por quem tá por baixo pode se tornar algo norteador em certas ocasiões. Com o passar do tempo me meti em grupos de recuperação, fiz cartelas de acompanhamento medicinal pra um amigo, outro requisitou uma espécie de doutrina psicológica. Anos depois tive uma experiência depressiva e isso, por incrível que pareça, tão não é só perda de tempo como foi uma das épocas em que eu mais cresci na minha vida inteira como pessoa. Se compreender e tentar fazer isso com quem já perdeu as esperanças é algo realmente formidável. Nessa conduta namorei góticas, garotas com dificuldades de auto afirmação, tantos talentos esquecido que me diziam que nunca imaginavam que poderiam realizar tanto e ser tão felizes. Algumas ofereceram generosos favores em troca e eu, como um garoto comportado e íntegro que sou, obviamente recusei.

Então se você se sente discriminado só porque toma Crystal, eu tenho um recado pra você: morra, Diabo! Mas se você não toma essa porcaria e acha que o mundo vai cair na sua cabeça, pensa que nunca será promovida ou, pior, pensa que vai morrer virgem, por favor, não, não me olhe de lado com cara de quem vai pular da Ponte Sergio Motta que eu terei que correr atrás de você e te denunciar, mas antes teríamos umas boas contas pra acertar.  Isso parece um dom, uma áurea transcendental que habita minha consciência ou apenas pode ser somente papo de bêbado, por isso deixe-me te explicar de forma mais prática a esquemática da situação:

Imagine um pau magnifico que intimida já na primeira aparição. Ele te faz tremer as pernas, te dá câimbras dos dedos do pé e onde quer que se encoste há calafrios, cócegas e pequenos soluços de inquietação. Ela demonstra com todas as forças que quer dobrar a alma ao meio pois não aguenta uma espera sem fim. Quer prazer e quer agora! Então você resolve conceder e mergulha fundo naquela piscina olímpica cristalina – vai de boca no azulejo. E deixa que maré o leve pra longe, lá no desconhecido onde os olhos já não enxergam, onde as luzes estão apagadas e os gritos se tornam mais intensos. Tudo é guiado por um movimento singular, peristáltico voluntário de via dupla, uma troca de suor, de forças contrárias, dentes na carne, olhos na boca e dentes nela novamente. Troca de fluídos! Quanto mais fundo se entra mais ainda os mistérios se escondem, todos aqueles segredos por trás das dez estrelas continuam fugindo e se escondem dos outros novos milhares que estamos plantando agora em sua cabeça, digo, na dela com sua cabeça. Não. Você entendeu, certo? Cada centímetro expõe novos gritos que fazem os olhos orbitarem, no sexo todo mundo é vampiro transformado, somos todos animais querendo mais sangue alheio, estamos famintos há décadas. Posso sentir seu corpo inteiro numa onda de prazer, os ombros contraídos, a língua gélida, os seios apontando e dizendo “fuckyeah, você é o cara!”. Nos tornamos um globo sensível que se contorce até com o vento na janela. Tudo aumenta exponencialmente e tu não se importa mais em qual chão ou em qual mastro resolveu pendurar e mostrar sua inexplorada bandeira ao mundo, mas ela está lá, toda linda, esticada e tremulando nas frequências do seu coração e das suas mãos que batem contra a parede. Treme, bate, bagunça e morde. Você fecha os olhos e a vida inteira rasga pra você em milhares de imagens e não importa mais se o sindico já acordou com a martelada que a cama dá no teto do apartamento abaixo. Alguém pede: mais, mais, não, não, NÃO PÁRA. MAIS, MAIS, MAIS e BANG!… seu pau acerta a cabeça dela nessa viagem louca, suja e cativante. Você plantou muito mais que uma mandioca no deserto, amigo, e ela não vai deixar isso em branco: a mulher goza pelo cérebro. É sabido desde a época em que as relações se faziam na fila do banco ou na garupa da motocicleta. Claro que naquela época não haviam roupas nem bancos e motocicletas. Mas essa é sim a lição mais antiga do mundo, vide as tremendas historias de quem já a fez gozar por debaixo da mesa enquanto espera a lagosta no restaurante. Quem é nunca dividiu o fone de ouvido com o amigo e depois de meia dúzia de músicas saiu com os olhos virados, sorriso de algodão doce e teve a clara sensação de ter tomado uma surra? Me digam, pequenos duendes do pecado.

Bom mesmo é chegar sem fazer barulho e explodir tudo na sua cara. É bacana ser misterioso, louco, imprevisível, idiota e rir de tudo o mais alto possível. Eu fui jogado fora da caixa de clichês e não há sábio no mundo capaz de definir. É assim que são feitas as melhores caixas de presentes: com um palhaço exagerado e ridículo pulando de dentro dela, sacudindo tudo que tem direito, aquele que te dá um puta susto no inicio mas que depois te faz chorar de tantas gargalhadas e ainda empresta sua roupa pra você se sentir um pouco idiota também. Eu sou o pinto peralta, não me contento em entrar direito e fazer o trabalho certo e religioso. Vou de cabeça, torto, babando. Mexo de um lado pro outro, tento coisas antes nunca feitas no universo, vou gritar e bater de lado. É tudo parte de mesma jornada louca de estar vivo e se sentir satisfeito por isso. Eu vim aqui pra balançar o seu mundo, baby, espero que não se desespere ao perceber que esquecemos os paraquedas.

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Viver ou juntar dinheiro?

Max Gehringer: Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários.

Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.

Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa… Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.

Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.

Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária. É claro que eu não tenho este dinheiro.

Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?

Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.

Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual! Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida”. 

 

Moral: Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço. Ou como diriam os Beatles: fun is the only thing that money can’t buy!
Que tal uma caipirinha agora?

 

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Pós operatório

Contrariando as opiniões de quem teve experiência cirúrgica parecida com a minha, eu não fiquei em casa sentindo os órgãos se retorcendo em busca de algum espaço. O que mais aconteceu foi que eu passei esse período de recuperação pulando de um lado pro outro, pra mim sempre foi muito difícil ficar parado muito tempo. Aluguei um quarto na casa de meus pais e pude lembrar do tempo em que o filho mais velho era mimado e adorado em casa. Já não tinha plenas condições de continuar fazendo o mesmo inferno daqueles da infância mas ainda sim foi bom tirar os velhos do sério e perceber que no fundo eles ainda se importam com o filho barbado.

Muitos anos antes foram eles quem ouviram os primeiros sintomas: dor abdominal aguda, músculos contraídos e garganta trancada. Era necessário gritar pra conseguir manter a respiração, às vezes andava em círculos pelo quintal, ora a gente dava um pulo no hospital. Numa dessas visitas a enfermeira mais meiga que eu já vi me drogou pelos próximos sete anos (e também beliscou minha bunda, diga-se de passagem). Depois de ouvir as minhas queixas e bagunçar o meu cabelo ela me indicou Buscopan Composto para cessar as dores locais e eu fui dependente daquelas cápsulas brancas dali por diante. Como sempre fui muito impulsivo e desligado, às vezes esquecia o tal remédio em casa e sumia no mundo, no meio do caminho sentia o ar rarefeito, ondulações e fazia aquela cara de soldado em estado de guerra: PÂNICO! Eu já sabia que iria me foder legal em poucos minutos. Já tentava amenizar com respiração frenética antes da hora, queria me antecipar à crise mas não adiantava, ela viria forte, calma e destruidora. E eu fazia de tudo pra sair da presença das pessoas e curtir aquela simulação de parto natural gratuita.

Enfermeira: fetiche eterno.

Sete anos nessa novela de dor, esquecimento e fodelância da minha juventude. É por isso que eu vou sempre repetir pros meus netinhos pra parar com essa putaria de que não gosta de remédio, que o hospital é um freak show e os médicos são bruxos. Pode até parecer sim mas é um mal necessário e eu tive que aprender isso da pior maneira no último mês de agosto quando um crise séria me tirou do trabalho direto pro hospital. Tomei uma superdose do medicamento que me ajudou todo esse tempo mas não adiantou, realmente as coisas tinham ficado sérias demais.

Às vezes tinha aquela mesma sensação inicial das crises de contração abdominal, era da mesma forma. Demorava uns poucos segundos pra colocar as ideias em ordem e lembrar que eu já mandei a porra da vesícula pro espaço e não há mais razão pra sentir essa espécie de sintoma. A adrenalina que chega é realmente válida. É como se alguém o acusasse de ser pai de um garoto de 2 anos sem saber que tu fez vasectomia no início da vida adulta, é algo clinicamente impossível mas todo frouxo vai pensar durante um tempo se aquilo tudo é mesmo possível de acontecer.

Felizmente tudo voltou ao normal. Já estou fazendo exercícios leves e eu estou bem mais à vontade agora, apesar da ironia dos amigos em dizer que a o único peso que levantei na vida foram quilos de carne e garrafas de cerveja. Malditos! A vida segue quente em direção ao ponto em que meus ossos possam reclamar mais uma vez e eu retorne às palavras mais sujas do dicionário.

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Dias a mil

Esses últimos dias tem sido uma fita fotográfica quilométrica de bons e maus exemplos, sensações incríveis e depressões posteriores, e apesar de tudo é mais um pacote industrial de lições de vida.

Já fui convencido de que a força mais construtiva do mundo é a autoconfiança. Pessoas saíram do anonimato e mudaram a vida de outras milhares porque tiveram uma ideia como ignição, não pararam aí, mas deram o próximo passo, tiveram a atitude de fazer e ficaram à mercê do julgamento alheio. Deram a cara pra bater e têm hoje o nome escrito na história, você tira o maior proveito disso mas não está nem se fodendo pra quem fez acontecer há tanto tempo. Antes de você nascer, ano passado, no réveillon, ontem – exemplos desfilam aos seus olhos e tu não quer nem saber, só pensa no próximo episódio de Glee que vai assistir (e dançar) quando chegar em casa mas nem ao menos sabe quem é Sean Parker. Uma verdadeira bicha louca porca imunda!

Eu sempre fui o exemplo clássico de pau no cu mundial, assim como você. Chegava nos lugares com cara de mau, como quem não trepa há meses, não falava com ninguém e apenas apreciava minha playlist mais demoníaca enquanto sentia ódio de tudo que se movia. De repente, a Michelle se levantava da cadeira e ia ao bebedouro num ritual mais angelical já visto. Ela, do alto dos seus 1,76 cm se inclinava pra molhar a boca, seus seios apontando para os pés e meus olhos lacrimejavam de emoção, de tesão e de incapacidade. Pois bem, meus amigos, sabe o que eu fazia? Nada! Ficava apenas lá, babando com o fone de ouvido enfiado no rabo. Não falava com ela, não colava chiclete em seus cabelos, não desenhava pênis em sua cadeira favorita. Enfim, não movia um puto pra estreitar os nossos laços. Hoje ela é mãe de gêmeos, sim, e daí? Eu poderia ter sido o cara que arrancou pétala por pétala daquela rosa, mas não fiz. Eu poderia ter enchido minha Ferrari de poeira rodando o mundo. Mas, ainda bem, essa foi uma lição aprendida no tempo certo.

A euforia que todo mundo sempre quando assiste o filme “Sim, Senhor!” (Yes, man) é que vai sair de casa com uma jaqueta de couro e botar pra foder nesse mundo, mas falando de uma forma bem geral tu sabe que não precisa ser tão radical assim. Todo momento aparecem inúmeras possibilidades de se fazer algo do caralho, algo que te faça ter medo, que te faça suar por ser a primeira vez na vida. Algo que pode ser pequeno em termos concretos mas que vai te fazer sentir anos mais vivido, um detalhe pode fazer seu ano medíocre inteiro valer a pena! E a diferença é apenas saber o quanto você quer aquilo.

Ninguém se importa se tu não sabe dançar, vá lá e faça! Aquela garota nunca estará na sua cama se você não der o primeiro passo: um elogio, uma pergunta, um sorriso – estreite os laços, traga a cintura dela contra a sua. Você nunca será um executivo e tomará whisky escocês em Dubai se passar as tardes de terça-feira jogando Warcraft. E mesmo que tu tenha conseguido seu objetivo mais breve não tenha medo de ser ambicioso. Tive experiências recentes com pessoas mais talentosas, mais inteligentes e bem sucedidas. Outras tinham um olhar de quem acabou de sair do set de filmagem de um longa-metragem pornô. Não precisei mentir ou contar vantagem, apenas não coloquei a pessoa num pedestal de imediato, não me achei menos que ela, não me inferiorizei. Todas esses contatos começaram com uma simples frase ou apenas um sorriso e tudo se desenvolveu de forma linear, de igual pra igual, apenas deixe que as coisas sejam agradáveis naquele momento e o seu leque de ação irá se expandir naturalmente. Ambição não é veneno, apenas te afoga se tu não souber lidar com ela. Se a garota fantástica com quem tu começou a sair tem uma colega de quarto que é uma verdadeira mal comida, calma, não perca a paciência, você pode ligar ou até aparecer lá de vez em quando, não prive o universo de te surpreender. Daqui a pouco você pode estar rindo sozinho numa barraca de cachorro-quente enquanto tomo mundo pensa que você é um retardado mas não, tu é um cara foda porque não se escondeu e conseguiu ter uma experiência de vida fantástica!

– Porra, Johnny, porque tu só fala de mulheres, tu só pensa nisso?

– Não, garoto. É que eu ainda não sou rico e não é possível lavar roupas em minha barriga ainda. Então mantenha sua bunda mole aí na rocha e escute os conselhos!

É preciso deixar claro que você não pode se comportar como uma menina – mesmo que tu seja uma. Essa atitude de ser confiante deixa uma brecha para as ocasiões em que nem tudo vai dar certo, é nessa hora que tu tem que mostrar o saco-roxo que tem, não literalmente, é claro. Às vezes os planos não dão certo, as coisas fogem do controle e tu precisa estar focado e não se abater. Consertar o que saiu errado e manter a cabeça firme, não se punir e estar confiante e preparado. Sem desculpas. Você só precisa estar lá novamente e mostrar que não tem medo.

Finalizando, vou deixar duas verdades universais:

1) Se tu quer mesmo fazer isso mas não consegue, tome mais um gole. Excetua-se o caso em que tu precisa falar com seu chefe (como eu já fiz e deu certo – fuckyeah!). Se for beber, não faça nada perigoso.

2) Tire a vagina do pedestal! Ela não é melhor que você e nem tem o direito de ser cruel contigo só porque é mais gata que a Scarlett Johansson. Mas, claro, não seja babaca.

Boa sorte e boa vida!

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Lila

“Se você quer agradar essa menina,
Você tem de andar depressa.
Começe por soltar esses braços
e saltar o mais alto que puder.
Vale a pena.
Porque você não conheceu ninguém antes
que tenha penetrado tanto em seus segredos”

Um cão uivando para a lua, pág.18 (Antônio Torres)

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Poética Andy Warhol

Sinto por você
louco desejo de Coca-Cola
descendo pela garganta

Seu corpo saboroso de Leila Diniz
eu quero beijar no cinema
num filme de Woody Allen

Minha boneca plástica
mascando chicletes
I Love suas queixas de Barbie baldosa
que às vezes me prende
com seus pés cobertos de All Star

Eu quero ser tragado
tal qual Marlboro
entre seus lábios de Brigitte Bardot

Minha gata Punk Pop Dadaísta
você dança Beatles
num lisérgico Rolling Stones

O cheiro de Omo no meu jeans Levis
quando você despe na hora
de me vestir a Jontex

Cereja do meu sorvete
o nosso amor é vermelho
como latas de extrato de tomate
na estante do supermercado

O nosso amor, My Girl
é descartável
pra ser visto na MTV
num domingo de tarde.

 

Poema de autoria de Diego C. publicado na revista MTV de dezembro de 2002, na época em que eu não tinha um puto no bolso mas já sabia que valeria a pena comprar uma revista com a Fernanda Lima na capa.

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Rock N Roll Suicide

Nenhum sinal de febre eu tinha mas estava lá na minha cama, jogado feito um gato manhoso na noite de quinta-feira, véspera de feriado. Levei à sério demais as intenções de trabalhar no final de semana e me livrar dos drinks e das saias curtas que estão sempre nos rodeando.

Tudo começou a mudar quando recebi uma chamada de uma amiga perdida nesses últimos meses loucos, me veio com delicadeza me convidando para o show do Seu Jorge. Em outra ligação resolvi o problema dos eventos não planejados e descolei uma cortesia. Assim que o carro parou em frente à minha porta, desci e iniciamos a velha aventura de desviar dos buracos e obras que assombram essa cidade.

Chegando lá, muita expectativa e gritinhos histéricos. Todo mundo queria ver o sambista mais carismático do momento, e o impacto desse alarde todo não demorou a acontecer. Logo depois de executar “Tive Razão” o que se viu foi um desfile da banda do bom moço, músicos muito competentes por sinal, desfilando seus saxofones, gaitas e um jogo de luz que cegava a plateia algumas vezes. Vez ou outra eu me imaginava num quarto de motel com aquela música de fundo, suave e dormente. O público foi se inquietando. Seguiu-se uma declamação muito teatral de poemas e frases soltas do subúrbio carioca durante mais de sete minutos e o esperado veio à tona: abandono. Fui para a área externa me refrescar um pouco e torcer pra chuva nos abençoar e dali deu pra ver o local ficando mais vez mais espaçoso, casais davam as mãos em direção a saída. Ficou evidente que o público não estava preparado pra uma cerimônia olímpica, todo mundo só queria ouvir um vozeirão estremecendo as cordas de um violão enquanto se afogavam na boca de uma donzela qualquer. O brasileiro se tornou exigente e egoísta demais!

Em uma ótica mais individual posso dizer que eu entendo a reação dos expectadores mas também respeito a posição do artista. Jorge é um cara muito gigante pra esse pessoal acostumado a se debruçar no balcão de mármore no final de festa; estamos muito mal com a educação cultural oferecida gratuitamente. E se for pra mexer no bolso eles logo fazem cara feia, órfãos do ‘pão e circo’, só querer rir à toa e adormecer com mel na chupeta.

Vou comprar uma mesa na frente do único foco de luz que incidir sobre Jorge na próxima vez, servir uma boa dose de whisky e esperar de olhos fechados que as coisas boas da vida apareçam em tom maior. Nem mais, nem menos que isso.

 

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Adeus às almas

Logo que se pisa na cidade de Brasília já se percebe que todos os passos que tu escuta não estão coordenados às pessoas que se vê. É fácil perceber que muita gente ali não tem uma personalidade, tu se sente sozinho em meio à multidão. Suas ruas longas e planejadas estão parelhas à saudade de casa que se sente, da mulher e dos filhos. E por mais que eu não queria falar mal sobre o clima ameno este também é um fator que soma aos outros anteriores. Andar nas ruas escuras e com copas de árvores altas é um alivio incrível mas a sensação de que tu pode ser abordado em qualquer esquina é realmente estranha, daqui uns passos tu já perdeu seus trocados e sua dignidade. Ou coisa pior – por favor, se você tá lendo isso aqui e acabou de ter várias ideias perversas na tua cabeça vou pedir gentilmente pra você se mandar, seu megalomaníaco delinquente! Pena ter abaixado a poeira sobre o bizarro costume dos emos da cidade de se jogarem do Pátio Brasil. Eu poderia chutar uma criatura dessa o dia todo e depois faria uma fogueira santa com as franjas.

A primeira vez que vim aqui foi no verão de 2007 e tudo quase se resumiu em desastre. Eu nunca gastei tanto dinheiro pra comer várias dezenas de ervilhas, falo isso numa situação em que eu não tinha um puto no bolso pra gastar e ainda detestava ervilhas, por sinal. O que me salvou foram os amigos de um final de semana que eu fiz na laje enquanto improvisamos um churrasco de carne de segunda e tomamos umas boas cervejas aguentando o frio que batia na cara. Eram uns caras maneiros de Goiânia e, graças a Deus, não me fizeram escutar sertanejo. Era somente um bocado de marmanjo com saudade demais pra nutrir isso sozinho dentro de um quarto apertado e mal amparado. E isso rendeu enormes gargalhadas. Além disso eu ainda tinha várias páginas em branco e muitos amores deixados em Cuiabá, por isso eu tinha pelo que me entreter durante toda a madrugada.

Se não fosse por isso eu não teria suportado aquelas rodinhas estúpidas de malas que solavancavam em meus dedos, nem os anunciantes de oportunidades imperdíveis que gritavam nos ouvidos de quem passasse perto do seu perímetro de ação. E eu nem estaria aqui agora tendo que cumprir mais uma missão sapateando em cima dessa fonte de brasa quente.

Estou fodido e sozinho nessa zona.

O mais estúpido disso tudo são os extremos: ao se aproximar da cidade durante o dia é incrível a sensação que tu sente quando avista o Park Way, tudo é tão perfeito e em cada mansão com piscina olímpica parece conter um sonho californiano embalado pra presente. Tu até consegue manusear essa porção de felicidade que nem é sua. Durante a noite aquilo tudo parece uma cena de suspense de um filme de mal gosto, com suas ruas terrivelmente iluminadas e suas avenidas a perder de vista. Com tanto asfalto é ruim pra encontrar carros em sintonia, apenas alguns isolados naquela imensidão; tantas ruas vazias, nenhum adolescente queimando telefones públicos ou apagando postes de iluminação. Tantas casas e seus mistérios trancados, várias garotas apertando os lençóis durante uma transa selvagem, um garoto tramando faltar a aula amanhã por não saber porra nenhuma do que aquele professor calvo diz, um pai afogado em whisky paraguaio. Tantas histórias abafadas por essas ruas vazias, eu daqui de cima nutrindo mais melancolia pela rua em que vou andar daqui a alguns minutos apenas, com certeza já imagino que meus pensamentos não vão se prender àquilo que meus olhos irão ver.

 

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Hijack

Já tive a vontade de estar em um avião quando ainda estava em solo. Provavelmente estava largado na rede com a pressão baixa e queria um pouco mais de emoção do que aquele lanche cheio de bacon e catupiry que eu tinha comido meia hora antes. Mas a verdade é que eu adoro voar, gosto das aeromoças que sorriem amarelo por serem obrigadas a serem educadas mesmo quando descobrem que o namorado tá dormindo com a prima dela – tenho um amigo que também gosta delas mas por outro motivo.

De tudo isso aí o que eu mais gosto mesmo é das turbulências. Prefiro inclinar a poltrona e curtir aquele momento de puro prazer, melhor que massagem, quase tão bom quanto um boquete. As luzes baixas da cabine ornam muito bem com todas as nuvens que passam rasgando na janela, o céu pesado e os flashes do sistema de iluminação da asa que se confundem com os relâmpagos vindos de fora. Estamos em uma batalha naval a 36 mil pés de altura! Só tem uma particularidade mais eufórica que isso: o pânico dos desavisados. Me divirto muito vendo gente de olhos fechados e com os dentes travados, os dedos estrangulando os pobres braços das poltronas. Um segundo depois o avião perde considerável altitude e já consigo ver os gritos agudos e logo já procuro a boca que insultou minhas emoções mais sinceras. O ser humano é muito filho da puta quando sente prazer no desespero alheio. Puto sim, mas eu nem me importo de qualquer forma.

Não consegui aturar a chefe de cabine que nos avisa no rádio sobre a área de instabilidade que estamos voando. Não sei se ela modificou a voz de propósito mas eu tive a nítida sensação de que ela tinha prendido um pedaço gigante de algodão doce na garganta e experimentou falar assim aos passageiros. Existe a possibilidade também do nosso comandante ter perdido sua caneta e ter lançado sua mão mais boba naquela escuridão do cokpit à procura dela. Até porque tem ocasiões que não podemos perder nessa vida, jamais.

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