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XXXMAS

XXXMAS

Mama o Noel ;)

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Hijack

Já tive a vontade de estar em um avião quando ainda estava em solo. Provavelmente estava largado na rede com a pressão baixa e queria um pouco mais de emoção do que aquele lanche cheio de bacon e catupiry que eu tinha comido meia hora antes. Mas a verdade é que eu adoro voar, gosto das aeromoças que sorriem amarelo por serem obrigadas a serem educadas mesmo quando descobrem que o namorado tá dormindo com a prima dela – tenho um amigo que também gosta delas mas por outro motivo.

De tudo isso aí o que eu mais gosto mesmo é das turbulências. Prefiro inclinar a poltrona e curtir aquele momento de puro prazer, melhor que massagem, quase tão bom quanto um boquete. As luzes baixas da cabine ornam muito bem com todas as nuvens que passam rasgando na janela, o céu pesado e os flashes do sistema de iluminação da asa que se confundem com os relâmpagos vindos de fora. Estamos em uma batalha naval a 36 mil pés de altura! Só tem uma particularidade mais eufórica que isso: o pânico dos desavisados. Me divirto muito vendo gente de olhos fechados e com os dentes travados, os dedos estrangulando os pobres braços das poltronas. Um segundo depois o avião perde considerável altitude e já consigo ver os gritos agudos e logo já procuro a boca que insultou minhas emoções mais sinceras. O ser humano é muito filho da puta quando sente prazer no desespero alheio. Puto sim, mas eu nem me importo de qualquer forma.

Não consegui aturar a chefe de cabine que nos avisa no rádio sobre a área de instabilidade que estamos voando. Não sei se ela modificou a voz de propósito mas eu tive a nítida sensação de que ela tinha prendido um pedaço gigante de algodão doce na garganta e experimentou falar assim aos passageiros. Existe a possibilidade também do nosso comandante ter perdido sua caneta e ter lançado sua mão mais boba naquela escuridão do cokpit à procura dela. Até porque tem ocasiões que não podemos perder nessa vida, jamais.

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Caviar

Ainda não há muito o que dizer sobre o Howler, mas a banda já ganhou notoriedade no ano passado ao ser nomeada pela NME como a terceira melhor banda do mundo em 2011 e seu vocalista como um dos 50 caras mais legais da atualidade mesmo o grupo tendo menos de 2 anos de estrada. O som é cativante, leve e gruda de uma forma bem harmoniosa, daquele tipo que tu gosta de cantarolar quando vê a manteiga derretendo sobre o pão francês numa manhã chuvosa em que tu poderia estar dormindo ao invés de comendo (GORDO!).

Pois bem, as coisas mais inúteis da vida eu aprendo durante os turnos da madrugada no trabalho em que não consigo dormir e a taxa de cafeína no organismo já está alta. Daí começo a ver vídeos, ler artigos e roubar cenouras na colheita feliz escrever textos tão ruins quanto este aqui. Acontece que eu tive a curiosidade de acessar um link do TMDQA sobre as músicas mais sensuais de todos os tempos na inocência de achar algumas das musas do blues rock que eu tanto amo. Caí na latrina! Passei o olho rapidamente entre os nomes e eu senti um arpão atravessando a minha mente quando a Madonna veio cantando “Like a Virgin” sem pedir licença. É um feitiço dos infernos, bater o olho no nome e escutar aquela voz distante e esfumaçada seguida de um gritinho que esfria toda a minha espinha (já bebi 700ml de café mas ainda estou tremendo enquanto escrevo isso). Consigo ter a nítida visão da minha mãe com aqueles cabelos volumosos e ondulados, camisa de botão e short jeans com barra dobrada no meio da coxa – é vintage, é fácil, é lindo!

Vou insistir em hardrock pra ver se eu consigo expulsar esse demônio louro da minha cabeça. Aliás, abaixo o vídeo dos garotos que eu havia comentado. Muito melhor, né?

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Molho Barbiekill

Durante os dois anos em que morei em Guaratinguetá/SP costumávamos nos reunir na praça de alimentação do shopping pra tradicional rodada de chopp de vinho. Sim, era isso que fazíamos antes de voltar a dura rotina semanal. Mas antes de efetivamente partir eu tinha que ter mais uma amostra de que tudo aquilo valia a pena. Pra isso eu tinha que atravessar a praça e encarar o movimento, avistar do outro lado um trailer tímido parado junto à calçada e procurar pelo Marcos. Feito isso, era só pedir o já costumeiro X-EGG e esperar, avaliar a brisa que balançava as árvores em uma já fria noite paulista.

Esse lanche era praticamente um soco que te deixava fora da realidade, não por ser feito com especiarias asiáticas ou pelo lombinho canadense, não por isso. Seus ingredientes eram simples mas muito saborosos, dentre os quais eu não me esqueço do pão prensado e que se transformava em uma capa levemente crocante, quase como uma proteção natural pra uma eventual dependência gastronômica que viria a surgir. O outro ingrediente marcante era a simples maionese, normal, branca como as outras. Não sei porque eu nunca perguntei a marca ou origem daquele produto, me sentia satisfeito só em sentar ali e provar aquela perfeita combinação e aquela textura (sim) que diferenciava aquele molho dos outros já provados. Claro, um lanche só é respeitado se vier com uma estratégica adição de milho verde.

Impossível não lembrar da quarta temporada de HIMYM quando o desesperado Marshall sai à procura do seu burger preferido de todos os tempos, percorrendo toda a NY com seus amigos em seu encalço. Hilário demais ver a Robin ter que revirar lixo pra conseguir qualquer resto de comida. Infelizmente não consegui encontrar o episódio pra anexar aqui, mas vale a pena ver a série toda.

Curiosamente, passei no Papo de Homem e o pessoal de lá também estavam lembrando dos sanduíches mais marcantes e imperdíveis do mundo. Tem dica de Curitiba, Floripa, São Paulo, Rio, Minas, interior do Maranhão e, claro, do Rio Grande. Há quem diga também que Berlim, Porto, Paris e Nova Iorque escondem verdadeiras preciosidade nessa iguaria prima da culinária universitária. Vale a pena conferir, viajante brasileiro.

Tem gordo com frenesi na cadeira, aposto.

PS.: Quando passei pelo Mercadão de SP quis fazer moda e experimentar algo “tradicional” e optei pelo pastel paulistano. Depois de ler a matéria fiquei com a consciência tão pesada que só voltando lá e entupindo minhas veias de mortadela pra eu alcançar a paz interior novamente.

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Efeito Colateral

Somos formados por um conjunto de fatores externos que exercem influência direta sobre nossos pensamentos, humor, atitudes para com os outros. O jeito que você anda com peito pra cima e punhos cerrados te denuncia em segundos que tu acabou de ver o Junior Cigano dar um sopapo no Velasques e conquistar o título mundial dos pesos pesados, e você só porque também é brasileiro se acha no direito de andar por aí com toda essa marra.

Tenho por experiência e você também (claro, se você tá lendo esse blog tem que concordar comigo) sobre aqueles tristes anos em que vários adolescentes juvenis criados a leite com pera e ovomaltino ficavam andando em bando, com bracelete de arame farpado e franja na cara. Eles eram influenciados pelas músicas de corno e ideias de daqueles vocalistas gordos que passaram a vida toda sofrendo bullying, até porque, gordo não precisa de motivo nenhum pra sofrer discriminação. A gente, classe alfa da sociedade, teve que dar um jeito neles. Hoje, ainda bem, estão dissipados e eu acredito que até já estejam beijando garotas (tomara!). Mas enfim, você é o rótulo do que passa em sua mente ou, se você for pau mandado ou um tremendo psicopata, você transparece aquilo que quer que os outros pensem de você.

Quando eu comecei a destruir folhas de papel com lapiseira, lá pelos anos de 02/03, eu já sofria influências, algumas um pouco pesadas como os Sex Pistols e outras mais socialmente aceitas, como foi o caso do Antônio Torres com seu incrível e apavorante “Um cão uivando para a lua”, que é até hoje meu livro preferido e foi a base pra despertar em mim o desejo de escrever, ou quando isso não era possível, o desejo de pensar. Vou transcrever o primeiro parágrafo desse livro pra vocês:

 Passei o dia todo subindo e descendo escada. Preciso me cansar. Que saco. Não, não sou eu quem está louco. São esses médicos incríveis. Sim, os loucos são eles. Eu simplesmente os odeio. Estou te chateando? Estou te chateando, não estou? Desculpa, é por causa dos remédios. Acho que já não tenho sangue nenhum nas veias. Tenho drogas”

Consegue compreender de onde eu tirei a admiração por caveiras, cemitérios e coisas do gênero? Discovery Channel é para os fracos!

É claro que algumas (muitas) vezes eu escrevia também com o propósito de ganhar (muitas) garotas e vez ou outra (sempre) eu conseguia. Imaginem que no ápice da minha formação de caráter eu tendo que escrever pras pessoas e as minhas ideias fervendo a milhão, uma vez ou outra eu deixava escapar uns textos estranhos dentro de envelopes negros. A pessoa em questão achava aquilo muito louco, cogitaram eu estar possuído por algum demônio mas logo percebiam que era só charme ;)

Depois me prendi na obra de Bukowski, foi quando eu aprendi a beber, mas sempre mantive o cabelo curto mesmo. Fui identificando os vários tipos de canalhas e onde eu poderia tirar o maior proveito das loucas histórias do velho safado.  Até hoje brindo as nossas conquistas.

Quando me matriculei na aula de guitarra depois de tantos anos parado fui louco atrás da biografia do Slash ou de algum bom apanhado sobre a obra dos Beatles. Recentemente, a biografia do Metallica também me encheu os olhos. Tenho certeza que ler e acompanhar mais de perto a obra desses gigantes me faria bem e me deixaria entusiasmado para estudar música com mais afinco. Precisamos usar as ferramentas ao nosso favor! Isso em parte justifica porque eu gosto tanto de biografias, as pessoas me fascinam e me intriga a forma com que elas chegaram lá. Tenho um hábito quase instantâneo de pesquisar sobre pessoas fantásticas. Quais fatores negativos os desafiaram pra valer a mostrar aquilo que poderiam fazer de melhor, quais amigos revelaram ou destruíram sonhos inteiros. O Tim Burton teve as janelas de seu quarto tampadas com tijolos e concreto quando ele era criança e isso nos faz pensar que o obscuro, os efeitos e personagens bizarros de seus filmes são apenas puro reflexo de sua genialidade criada com as suas experiências.

O meio justifica o homem.

Por isso acho tão essencial ter um moleskine na mochila, outro na escrivaninha ao lado da cama. Porque não se sabe quando terá uma ideia brilhante e eu geralmente as tenho quando estou olhando as ruas pela janela ou quando estou quase adormecendo. Acordar no meio da noite com uma puta coisa maneira na cabeça é bem comum também.

Esse blog, por exemplo, é uma suruba louca de textos estranhos e subjetivos (que quase ninguém entende, by the way), textos em que eu tento ser um pouco engraçado (e não consigo), relatos musicais e algumas satisfações antigas do tempo que eu namorava (argh!). Quando converso com a @livsjedai no twitter não uso pontuação só pra me inteirar no contexto tá ligado. Hoje em dia a gente se esbarra em Safran Foer e para pra pensar demais na vida. Pensa na fricção da gravata no colarinho, lê dezenas de artigos pra entender a crise de 29 e como dar a volta no leão na hora de declarar o imposto de renda. A gente se acostuma demais, como dizia Marina Colasanti, e logo nem percebe que no porta luvas do carro tem um livro de auto ajuda que teu filho te deu de amigo oculto. A gente deixa a memória perder aqueles riffs encantadores, aquelas cinturas finas da época do colégio e passa a decorar nomes científicos de anti-inflamatórios. Porque tem gente que reclama demais de estar velho mas não se permite permanecer jovem e ainda acha brega fazer aula de bateria só porque já passou dos 40. Eu tenho que não é essa imagem carrancuda que você quer passar adiante. Junte as influências positivas para forjar o melhor que se pode ser.

Agora, dá licença, que eu preciso agendar meu salto de asa delta da pedra da Gávea, valeu?!

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Dezembro

Dezembro. Há uma semana eu fumo um maço de cigarros por dia. É quase impossível andar em casa sem tropeçar nas várias latas de cerveja ou garrafas de vinho. Na estante, várias unidades de vodka e whisky à mostra e três cinzeiros espalhados pela casa. Difícil mesmo é abandonar a rotina: acordar depois do meio-dia ligeiramente embriagado é um ato quase religioso.
Meus estudos do último semestre se resumem a nada. Não me habilitei no trânsito e deixei escapar as minhas lembranças mais lindas.
Eu tomo todas! E sigo de perto uns bons rabos de saia. E me perco na ilusão da simpatia de uma boa explosão de destilados, algo totalmente contra o meu mau humor nutrido durante toda a minha vida. Eu não criei estas marcas de expressão no meu rosto à toa. É tudo culpa do punk rock.

Trabalho seis em sete dias na semana e meus olhos se tornaram vermelhos por natureza. Virei um drogado sem psicodelia, me rotularam com a pior parte do ofício: a fama indecente.

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#47

“É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranquila e saudável, é desencanada e adora dar risada. Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps. Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa. Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí? Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra futilidade!”

Arnaldo Jabor

“Amor é quando minha mãe faz café para o meu pai e toma um gole antes, para ter certeza que está do gosto dele.”

Danny – 6 anos

“Se ela tá gemendo é porque eu sou um cara legal
Se ela tá tremendo é que ela gostou do meu pau
Se ela tá gritando é que ela tá querendo mais
Se ela tá berrando é hora de meter por trás”

Raimundos – “Tora Tora”

A Paixão da sua vida

Amava a morte. Mas não era correspondido. Tomou veneno. Atirou-se de pontes. Aspirou gás. Sempre ela o rejeitava, recusando-lhe o abraço. Quando finalmente desistiu da paixão entregando-se à vida, a morte, enciumada, estourou-lhe o coração.

Marina Colasanti



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Asa Quebrada

Já, é!
Isso é o que mais se escuta quando estamos livres por aqui, são sucessivos convites para festas, viagens, churrascos. Mais uma vez nosso bonde se reuniu pra outra noite aterradora. Nosso motorista beberrão estava fora de combate, outras missões mais duradouras e antigas o aguardavam. Estávamos desfalcados em nossa última aparição.
Pra brindar a noite: duas garrafas de Absolut e doses menos generosas de energéticos pra não diluir nossa fumaça sueca. Muito cigarro rolando solto, charutos de chocolate e whisky não-rotulado. Era certo que aquele noite seria esquecida pela frágil RAM que herdados mas flashes não nos deixam passar nenhuma armação despercebida. Depois do encontro, mais drinks de Amarula e declarações de amor – nomes e/ou marcas são sigilosas. Tive que salvar um cara de três buracos seguidos, alguns muito perigosos embora terrivelmente tentadores. Limpei a barra e nos perdemos. Me encontrei, não, me encontraram. E eu gostei disso. Dei outra desalinhada, mas está tudo okay quando se está debaixo d’água, nossas intenções divergiam e não há pudor algum em se mostrar isso. Preciso fazer um checklist sobre todos os órgãos e idéias que precisam ser reformulados antes de eu ter minha vida novamente. Virei uma bomba biológica.
Ouvi uma distorção conhecida, gritei que nem uma puta fingindo orgasmos múltiplos fui logo ver quem mandava covers muito bem feito de “Welcome to the jungle”, “Crying” e “Whisky in the jar”, quis dormir ali pra que eu pudesse lembrar disso toda ver que fosse pra cama com uma ponta de felicidade pulsante. Foi foda, parecia que tinha sido feito pra mim, eu estava indo embora daquele lugar.
Ainda tivemos tempo de passar nas coberturas recheadas de barris, nos acabamos em cerveja de fabricação própria, distribuímos fogo aos quatro cantos. E quando a poeira estava descendo, tive uma explosão de influência e em meio ao gelo seco consegui a boca mais gostosa em dois anos de combate. Não parecia real, os estalos da caixa de som pareciam me chocar, meu frio foi-se embora. Estive tanto tempo a dois passos de conhecer esta caverna de águas azuis que me deixou dois dias com as idéias inertes.

Por trás das montanhas do vale a gente consegue ver o sol nascendo. Há muita nuvens e uma tênue neblina repousa nas estradas, nosso carro voa e os cabelos trepidam e chicoteiam as horas que ficaram lá na bagagem. Vou precisar dos meus óculos escuros o dia todo. Respiro devagar, há muita suavidade repousando na minha mente, acho que ela está congelada. Menta, neblina, citrus. Gostava de baforar por varias vezes, aquilo confundia e divertia. Gostava de ver o dia nascendo por detrás daquelas lentes, o que eu não deixava por trás dos panos era minha satisfação.

É a Branca 08 dando adeus para o CA!

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Platônico

Ao pular os canais em busca de algo proveitoso nesse frio feriadão, nada encontrei. Tento não me ater à mania que tem virado o twitter na minha vida – esta mania tão moderna, substancial e direta. Temo que logo o botão F5 do frágil teclado do laptop vai sair por aí pulando, numa súplica desesperada pela imenso esforço que tem feito em tão pouco tempo. Não tenho tido tempo pra conhecer pessoas para que pudéssemos trocar MSNs; meu amado Mirc já não possui uma rede favorável. Tudo que me resta é ler e redigir minhas estranhas ações, manias e afazeres nos mínimos (e múltiplos) 140 caracteres.
Mas, como eu disse, em um feriado tão grande me restou algum resquício de saudável curiosidade pra sair por aí lendo pensamento de pessoas desconhecidas e justamente, em um tempo em que raramente converso com alguém online (extra twitter) encontrei um texto sobre amor virtual que me deixou inquieto e eu decidi escrever o meu próprio post sobre este assunto que já fez parte importante em minha vida. Quero fazer isso agora, antes que meu domingo acabe e eu tenha que voltar pra minha rotina hard work, na qual não tenho estes pensamentos. É claro que não vou falar sobre amor pois sou muito macho pra isso mas sim sobre as relações que se desenvolvem por traz dos monitores.

Eu já fui moleque, sim, daqueles que dormem das 07:00 às 16:00 em época de férias – tudo isso pra ficar jogando em rede durante a noite e jogar conversa (online) fora, óbvio. Nessa maré toda conheci muita gente que sequer cheguei a ver os olhos, algumas se evaporaram logo depois que as janelas foram fechadas mas outras permanecem, na medida do impossível, até os dias atuais. Mas teve uma dessas que realmente me balançou no meu ano pós-colegial: conversávamos todo dia, nossos gostos e opiniões se fundiam na maioria das vezes e os segredos eram dia após dia jogados ao vento. Trocávamos idéias tão reais e subjetivas – daquelas que nem nossos pais rascunham – que era a verdadeira sensação de se sentir nu perante o outro. Eu não tinha medo de me deixar levar: foi o meu amor platônico mais real (ironicamente). Eu acreditei tão fielmente naquela comunhão que os efeitos positivos duram até hoje. Há quem me conheceu antes e depois desta experiência – que estou contando pela primeira vez agora – e percebeu a gigantesca mudança. Os cabelos sedosos e camisetas surradas de bandas ficaram pra trás (o ótimo gosto permaneceu) e deu-se lugar a um comportamento mais racional e mais humano, principalmente aos novos relacionamentos. Isso reflete claramente no meu período amoroso-social pós 2006 e eu sempre digo às garotas desde então: “Tu deveria agradecer fulana, sabia? Sem ela, eu não seria 30% do homem que sou hoje”. É claro que elas não encaravam isso como um papo furado sobre ex mas ficavam realmente satisfeitas. Fulana valorizou a própria classe. Foi um marco extremamente importante em minha vida e por sentir na pele o que foi pra mim a sinceridade das palavras, do puro sentimento confiado nas idéias.

É claro que esta sincronia tem suas falhas: tu não sabe como ela realmente se comportaria na sua presença; tu não sabe como o sorriso dela se forma; se ela tem variações repentinas de humor; se ela é vesga (?!). Muitos defeitos detalhes são fatalmente escondidos numa conversa virtual, pois se essa conversa perdura a chance de haver um interesse torna-se eminente. Acho que é totalmente particular essa percepção de até que ponto é saudável ir adiante e o risco que se corre é válido.
Minha outra experiência, dois anos depois, foi bem mais fácil: eu já era mais maduro (em grande parte graças à fulana) e a pessoa em questão morava na mesma cidade. Então, nosso envolvimento ditou o tempo certo em que a gente deveria se conhecer e BAM! Foi no alvo! Olhos nos olhos e felicidade garantida. A maior vantagem desse tipo de relação é justamente a independência de fatores sexuais, já que por ser homem posso afirmar: nosso julgamento torna-se muito maleável quando conhecemos a pessoa previamente e gostamos do que vimos. Depois disso, gostar do que ela gosta ou concordar com o modo com que ela pensa torna-se bem mais fácil. É como pular de um prédio: a gravidade ajuda!
Nota: Quero deixar claro que não é maneiro sair por aí tentando encontrar pessoas. Tudo acontece de forma natural e nada deve ser levado como obrigação, se fugir do meu modo natural de agir já está errado. Mas quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?

 

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Carnafacul

A semana veio se arrastando em meios aos contratempos que não tínhamos planejados pro período mais doce do nosso curso. Amargamos punições injustas e compartilhamos todo o ápice de nosso mau-humor. Em cinco dias, trabalhamos treze dos quinze períodos possíveis, ou seja, no intervalo entre a noite de segunda-feira e a noite de sexta-feira só tivemos tempo para comer e dormir (coisa que fiz muito mal, diga-se de passagem). Acordávamos cansados, acumulando cansado e nos precavendo das outras pedras que poderiam surgir. Fora isso, tivemos uma “missão” durante todo o sábado. Meu corpo estava no ápice da anti-saúde. Não me detive, às cinco da tarde pulamos no carro e rumamos pra São Paulo. O maior evento universitário do país estava me esperando.

No caminho, mais problemas: chuva, frio, GPS com TPM. Isso nos rendeu um círculo completo na capital durante um tráfego dos infernos, nos perdemos, voltamos, quase desistimos. Quando tudo estava caminhando (devagar) para nosso objetivo uma carreta nos arranca o pára-choque. Ficamos parados numa das avenidas mais movimentadas da cidade para resolver burocracia automotiva. Jogamos os cacos pra dentro do carro e seguimos, espremidos, para a festança. As meninas quiseram fazer charme, nos chantagearam. Não liguei pra essa putaria toda, só queria uma lata de cerveja e entrar lá, pra que eu pudesse finalmente esquecer todo o inferno que passei naquela semana.

Não conseguia dar um passo quando o trio elétrico chegou perto. Micareta é assim mesmo, loucura total. É preciso esvaziar a mente e estar inteiramente disposto deixar que a folia te leve. Não adianta tentar se conter. Pule alto, bata os pés nas poças d’agua, feche os olhos. Caralho, eu não queria sair mais dali. Essa mania fudida de chover quase todo dia por aqui veio da melhor maneira possível, com pequenos chuviscos que só refrescaram, não teve chuva de verdade, não teve desculpas pra quem queria ir embora. Além da avenida, as arquibancadas estavam lotadas e os abadas amarelos pareciam nos iludir, eu sabia o que era aquilo: louras, morenas, ruivas, de todos os tamanhos, todas sorrindo. Meus braços não grudaram um instante em meu corpo, ficaram o tempo todo dispersos no ar.

Ganhei cervejas, cigarros, garotas. E uma expectativa inigualável pra começar mais uma semana e pra ter certeza que a vida só esta começando, se você estiver bem disposto. Valeu muito!

Na volta, claro, o GPS não colaborou. Estômago colado às costas e os olhos mais pesados que o céu. Nos perdemos de novo, paramos no Aeroporto de Guarulhos. Pouco depois não aguentei e dormi. Quando acordei, estavamos em um pedágio e o ponteiro da gasolina refletia um salmão pavoroso, o próximo posto estava à 4 km e ficamos logo tranquilos… se não fosse a perícia do motorista em errar o caminho e nos jogar em uma escuridão sem fim: Estrada Velha (puta-que-me-pariu, bota velha nisso). Não havia uma alma, um foco de luz nos próximos quilômetros. Não foi nada tranquilo imaginar que a qualquer momento o carro poderia morrer e a gente tem que se virar ali naquele frio, no meio do nada, dividindo lugar com um pára-choque! HAHA Foi o caos. Eu tentava acalmar o companheiro com palavras pouco confiáveis. Achamos um posto abandonado e quase fomos atacados por uns cães selvagens que rondavam o local. O pisar macio no acelerador fazia o carro andar não mais que a 80 km/h. Quase perdemos as esperanças.

Mas, porra, o que você leva dessa vida? Aventuras! Conseguimos achar um fucking posto e aquilo foi como um orgasmo pra gente HAHA Depois disso podíamos nos perder mais mil vezes que a gente rasgava aquela estrada até o Chile. Antes de chegar em casa, compramos uma pizza e foi muito engraçado quando a gente percebeu nossas mãos tremendo enquanto os pedaços estavam sendo levados à boca. HAHA Hilário, porém, demais! Doutor PhD Perrengue.

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