Vou ao quarto auxiliar e vejo Julho despontando lá na frente. Assim mesmo, com letra maiúscula, porque eu sempre soube que um mês é tempo demais e toda a expectativa que colocamos em um novo ciclo tem seu propósito. Ainda é de madrugada por isso eu não tenho a real impressão de que o mês já começou. Tudo parece mais estranho ainda quando isso acontece em plena segunda-feira.

Insônia.

Peguei minha máquina desajustada e fui pra janela, fiz do cômodo uma câmara escura, pisquei as luzes, tirei o flash, avancei o recuei o zoom até chegar um ponto em que o que não agradava estava fora de foco e o que era bonito ou estranhamente chamativo poderia ser registrado ou sentido, caso eu queira desligar o aparelho e ficar ali parado, só observando. Todas as madrugadas sozinhas ficam mais atrativas quando chove – essas gotas fazem falta no livro da melancolia autista. Parei uns instante, vi sinais luminosos em outra janela que estavam imperceptíveis a olho nu. Tentei de novo e não tive êxito. Dei um sorriso e me senti tão bizarro e tão contente que vou me esforçar pra encontrar a pessoa que clicou essa minha única dose de sinceridade noturna que havia se esvaído lá no passado – que se escorreu no vão – quando tudo ainda era atrito e todos as cores estavam ao alcance dos dedos, prontos para riscar fora aquilo que permaneceu intacto.

janel2

Adios

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