Birds of Satan

Tutorial de como se fazer uma banda foda:

1 – Crie um nome que seria usado pra qualquer coisa insana nesse planeta.
2 – Ouça uns discos do Foo Fighters e penere o que há de bom. Ou seja, chute o Dave de lá.
3 – Coloque um franzino no vocal ou vez ou outra deixe ele cantar lá da bateria.
4 – Faça com que o primeiro vinil tenha capa suja, poluída e preguiçosa.
5 – Colque um cabeludo na banda que saiba mandar uns solos bons e intimidar os outros mas que seja gente boa afinal.
6 – Misture um bom punhado de Black Sabbath nesse caldeirão.
7 – JUSTIFIQUE O NOME.

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Você é mais bonita do que todas as coisas bonitas. É mais bonita que o mar quando ancora no cais do seu coração que, no peito, leva e traz amores distantes, e saudades eternas dos nossos próximos instantes. E, quando a vejo na beira do caos, você se aproxima e, mesmo sem jeito, me pede um cigarro, um isqueiro, um lenço, um beijo e um imenso abraço. Depois, me deixa a ver vazios. Eu embarco no último navio e atraco na grandeza do mundo que nos separa.

 

Brothers of Brazil

Muitos de nós já conhecemos o Supla – filho do senador mais bacana do país e da sexóloga mais estúpida da nação. Infelizmente, o conhecemos através de seu sucesso na TV no primeiro formato de antigo reality show que veio a desencadear outros tantos e a aniquilar a consciência crítica do brasileiro. Enfim, não estamos aqui pra falar de besteiras, vamos conhecer a parte boa dessa confusão toda: o irmão, João.
João é o maioral e conseguiu fazer do desejo de milhares de adolescentes brasileiros uma realidade, ele esteve casados por vários anos com a Maria fucking hot modafoca Paula, vendedora de melões nas feiras de Sorocaba – nossa única razão pra ficar acordado vendo casseta & planeta às terças-feiras lá pros anos de… de… lá longe! Só por isso ele já merece um trono ao lado de Deus, mesmo assim o garoto não se abalou, foi pros EUA e voltou de lá manjando dos paranauês fodão nos dedilhados e na erudição dos musicais. Juntou com seus irmão – que devia estar desempregado na época – e pediu que ele se mantesse doidão, punk rocker style, que o João cuidaria do resto.
Eles tocaram na Europa lá pelas bandas de 2007 quando ainda não tinham um nome definido e Eric Clapton gritou da platéia: “Hey, you’re the brothers of brazil!” E o nome ficou. Se isso é bom, eu não sei, mas com certeza será um chute no ânus cedo ou tarde por deixarem o supla se envolver com alguma coisa que tenha o nome do país no meio. Enfim, há quem diga que o som deles sejam definidos por uma mistura entre Jobim e Sex Pistols – mas sem o pedigree, sacou? Bota o play aí, Creuzebeck, que eles já tocaram no SWU, Planeta Terra e ano que vem vão fazer Halem Shake no Lollapalooza BR14. Tirem as crianças da sala, papito!

Livros da decepção

 

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Estou na página 25 e já é o segundo clássico que descubro o final de forma direta e totalmente inconveniente, e o pior é que eu paguei por esse exemplar, eu simplesmente despendi grana pra me foder e rejeitar livros que eu possivelmente leria num futuro próximo. Atenção, se você tem esse livro ao seu alcance e não quer foder com sua experiência de leitura de clássicos como O grande Gatsby, Adeus às armas, A letra escarlate, entre outros, ATEIE FOGO exatamente AGORA nesse livro da capa preta pois esse puto desse personagem narcótico maníaco depressivo resolveu que quer ler todas as obras que ele cagou pra sua ex-esposa agora que ele está preso em um centro de reabilitação – as REHAB’S, saca? No, no, no – e ainda conta com a ajuda do narrador que conta tudo pra nós, ou seja, conta todos os finais e enredos de livros que você gostaria de descobrir um dia, sozinho.
Além disso, o livro é um porre. Uma choradeira psicótica sem fim e várias dilmas jogadas fora. E ainda paguei frete, vê se pode!
Resumindo: O lado bom da vida só é de fato bom quando sua esposa gostosa tá lá de costas pra você e te querendo como ninguém, te querendo como Deus quiser.

[PAUSA PRA RESPIRAR, keep calm, cuidado com o cortisol]

Quais as vantagens de ser invisível? Nenhuma.
Isso foi o que uma garota escreveu numa rede social e quase pulei de peito no chão por descobrir que existem pessoas, acima de tudo garotas, que não acreditam nessa baboseira desenfreada que a galera lá do Kansas faz. Quase morri nessa leitura, lembrei de quando era criança e tinha que tomar um remédio de magnésio, após um mês eu ainda não havia terminado a primeira colher tamanho era o entusiasmo naquela tarefa. Parecia o suco do diado.
Realmente não há vantagens em ser invisível! Achei o livro entediante, corri pra terminá-lo. É totalmente intragável pra qualquer pessoa que já tenha entrado na maioridade. Livro pra pré-adolescente ou pra alguém que esteja realmente muito vulnerável social e emocionalmente.
O radical “chor” – chorar, chorei, chorando – aparece 118 vezes. Entende porque eu quase me matei nessa leitura?
Resumindo: livro pra quem é virgem.
Esse livro devia se chamar: Chora, me liga, me implora meu beijo de novo antes que eu morra virgem, sua linda!

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Escrevi e saí correndo (…)

Sim, já é madrugada de domingo e eu ouvi no noticiário que daqui uns dias o horário de verão vem aí pra inchar as (nossas) bolas roxas. Tenho sentido saudade de escrever e, garanto à você, tem vários textos que escrevi mas ainda não tive tempo pra postar aqui. Mas vou aproveitar as férias e prometo que nas próximas duas semanas eu dou umas palavras – nem que seja alguns palavrões destinados aos amigos que têm travados algumas brigas comigo. Tudo bem, faz parte do aprendizado e do crescimento social, certo?

Vou deixar um clipe dos RHCP por enquanto, isso porque eu tenho observado a banda há alguns meses e provavelmente será o “Californication” ou o “…Like a clockwork” meu primeiro LP. Depois é só sucesso (essa é outra novidade que eu vou escrever em breve também).

Vou ao quarto auxiliar e vejo Julho despontando lá na frente. Assim mesmo, com letra maiúscula, porque eu sempre soube que um mês é tempo demais e toda a expectativa que colocamos em um novo ciclo tem seu propósito. Ainda é de madrugada por isso eu não tenho a real impressão de que o mês já começou. Tudo parece mais estranho ainda quando isso acontece em plena segunda-feira.

Insônia.

Peguei minha máquina desajustada e fui pra janela, fiz do cômodo uma câmara escura, pisquei as luzes, tirei o flash, avancei o recuei o zoom até chegar um ponto em que o que não agradava estava fora de foco e o que era bonito ou estranhamente chamativo poderia ser registrado ou sentido, caso eu queira desligar o aparelho e ficar ali parado, só observando. Todas as madrugadas sozinhas ficam mais atrativas quando chove – essas gotas fazem falta no livro da melancolia autista. Parei uns instante, vi sinais luminosos em outra janela que estavam imperceptíveis a olho nu. Tentei de novo e não tive êxito. Dei um sorriso e me senti tão bizarro e tão contente que vou me esforçar pra encontrar a pessoa que clicou essa minha única dose de sinceridade noturna que havia se esvaído lá no passado – que se escorreu no vão – quando tudo ainda era atrito e todos as cores estavam ao alcance dos dedos, prontos para riscar fora aquilo que permaneceu intacto.

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Adios

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Garota Mexicana

Tinha comprado minha passagem, e estava esperando pelo ônibus para
L.A. quando, de relance, vi a mais deliciosa garota mexicana; ela passou bem à
vista, de calças compridas. Estava num dos ônibus que acabara de chegar, entre
suspiros ruidosos do freio a vácuo; os passageiros desciam para um descanso. Os
seios dela apontavam para a frente, retilíneos e indubitáveis; seus quadris
pareciam deliciosos, seu cabelo era longo, lustroso e negro, seus olhos eram duas
coisas azuis imensas, com certa timidez lá dentro; eu daria tudo para estar no
ônibus dela. Uma angústia trespassou meu coração, como acontecia sempre que
via uma garota pela qual estava apaixonado indo na direção oposta, neste mundo
grande demais. Os alto-falantes chamaram os passageiros para L.A. Apanhei
minha sacola e embarquei, e quem estava sentada lá, sozinha, senão a garota
mexicana? Sentei-me justamente do lado oposto do corredor, e comecei
imediatamente a maquinar um plano. Eu estava tão solitário, tão cansado, tão
sobressaltado, tão triste, tão alquebrado, tão arrasado, que consegui reunir
coragem, a coragem necessária para abordar uma garota desconhecida, e agir.
Ainda assim, passei cinco minutos comprimindo minhas coxas na escuridão,
enquanto o ônibus rodava pela estrada.

Você tem de fazê-lo, ou morrerá! Seu estúpido idiota, fale com ela! O que
há de errado com você? Já não está cansado de si próprio? E, antes que pudesse
perceber o que estava fazendo, debrucei-me sobre o corredor até ela (que estava
tentando dormir na poltrona) e disse: — Moça, você gostaria de usar minha capa
de chuva como travesseiro?

On The Road (Jack Kerouac), pág. 109

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Karma Police

Hoje um capô passou menos de três metros de minha cabeça e eu não vi. Amigos sangraram e desesperaram por assuntos menores mas não me importei. Meu fluxo ignorante e impaciente só tinha um foco o dia todo.
Toda essa tarde se arrastou na minha cama sem que eu tivesse forças pra me levantar, não queria, era mais afável o edredom amenizando a dor do que a dúvida.
Hoje eu nasci de novo, segundo populares. Pensei no branco que se fez perante os olhos e minha mente. Pensei no único foco evidente. Em um instante todo as fotos e as folhas de calendário perdem todo o sentido, todo aquele monte de dinheiro debaixo do colchão só servirá pra que dar um sepultamento digno; pode ser que nem apareça alguém pra carregar o seu caixão. Enquanto todo a sua vida passa diante de seus olhos, há um menino fazendo gol, uma adolescente gritando de orgasmo e um velho chorando as decepções do filho caçula. Não queira perder os dias que lhe restam evitando o sol dentro do quarto, não deseje isso. Aproveite pra sentir sabor no sangue porque nada vai restar quando os dois mundos – e você no meio disso – se chocarem.

 

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XXXMAS

XXXMAS

Mama o Noel ;)

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No fim da linha

Eu prefiro não dormir pra evitar o caótico trânsito pela manhã. Por isso vou pro bar logo que a noite vem e me demoro lá umas boas e longas horas, deleito-me no copo e apoio na borda sem deixar que os pensamentos mais pesados detonem o colarinho. Descobri que não existe aquela história de Harry Hour, toda a euforia cresce e não pode ser controlada com o passar das horas e das lindas garçonetes que eram apenas senhoras de quarenta anos no momento em que chegamos no bar e fizemos nossa checagem radar do local.

O último bar quando fecha de manhã só me lembra que eu não tenho aonde ir.

Já estão recolhendo as mesas e nossa conta chega sem que estivéssemos pedido. Aliás, eu não sei porque estou falando no plural já que é comum vir beber sozinho ou quando não, todo o dinheiro que paga a bagunça sai do meio da minha bunda. E eu vou sem razão, sem noção e sem rumo algum, quase rastejando ao próximo beco onde eu possa comprar algo pra molhar a garganta. Acho que estou viciado, se eu conseguir chegar em casa consciente vou procurar ajuda. Não, droga, eu tenho aula na faculdade daqui a pouco, preciso tomar um banho e tentar me manter em pé já que eu não prego os olhos há uns dois dias. Durante o trajeto naquele transporte barroado, cheio de pessoas com desodorante forte além de aguentar o corno do motorista que não consegue entender que sertanejo não é música coletiva. Depois tenho que engolir aulas precárias sobre assuntos estúpidos ministrados por professores desmotivados. Assim sou eu que vou rasgar as pregas do rabo logo pela manhã. Ainda tenho que aguentar a cidade sendo fissurada pelas obras de extrema urgência. Me poupe dessa delonga de ilusão.

Às vezes preciso ir às pressas pro trabalho, visto minha farda e tento parecer apresentável. No fundo eu só gostaria de vomitar no sapato lustroso do chefe e cagar em cima da papelada que ele mantém em cima da mesa, todas são prenúncios de punição que ele adora distribuir entre aqueles que fazem todo o trabalho com tão poucos recursos e ainda diz sentir orgulho de já ter participado desse  grupo. Acho que deve ter esquecido que o orgulho a gente guarda no meio das pernas para a vida toda. Putos! Todos ao redor, com garras afiadas e pupilas verticais. O que eu quis da vida quando me meti nessa roubada?

Já faz três meses que não vejo o meu pai. Minha mãe poderia passar décadas sem me dirigir uma única ligação, pelo menos eles ainda tem a família pra se confortar. Eu tenho umas belas garrafas vazias e uma conta no vermelho que insiste em se manter viva na esperança de que eu ainda possa ter algum futuro promissor. Meu irmão resolveu não se aliar à mesma operadora que eu pois os amigos dele são de outra e, ora pois, é melhor manter contado com esse bando de desocupado do que passar um final de semana com quem sempre se desprendeu para dar à ele o melhor. Aquilo que eu nunca senti o cheiro. Talvez eu realmente mereça tanta impugnação, de fato.

Odeio você que vive de status, que marca até o banheiro em que peida só porque tem piso português. Eu queria esfregar sua cara nesse ralo até seus ossos saltarem da carne! Tenho nojo em quem faz amizades por dinheiro ou quem tenta sustentar qualquer pose sem ter um único puto no bolso. Faz uns belos anos que eu não vejo o Sol brilhar tão forte contra meus olhos, a ultima vez que isso aconteceu eu era moleque e achava o máximo viver de cachorro-quente de baixo orçamento. Resolvi ganhar um pouco de dinheiro e quando voltei não encontrei mais meus amigos, meus amores e minha própria paixão pela vida. Está tudo embrulhado em plástico bolha na porta do inferno só esperando minha hora de buscar a encomenda e servir o tinhoso por toda a eternidade. Todo o dinheiro que eu consegui hoje gasto em cerveja, cigarros e entorpecentes baratos que maquiam minha instantânea felicidade enquanto eu tento ser normal por um único momento. Já acordei banhado em cerveja fedendo a desprezo, porque eu só tenho que continuar com essa vida de merda. Eu sou um merda!

Tenho uma moto que não funciona. Sei dirigir mas não tenho carteira. No próximo mês serei expulso da casa que eu sempre critiquei mas que agora não quero mais sair. Deixo as coisas pelo caminho por comodidade. Me acostumei com a decência de estar bêbado.

A única companhia que tenho é um cachorro estupido que eu me incumbi de cuidar para ser um pouco mais amável com as pessoas e tudo que eu ganhei foi um macaco branco que não me respeita e me acorda durante as madrugadas com seus latidos estridentes. Ainda tenho que dar comida regularmente mesmo quando eu estou morrendo de fome há varias horas. Toda vez que vou ao banheiro é um concerto dos infernos de latidos e rosnadas nada amigáveis, tudo acompanhando um incomodo cheiro de merda. Ele faz questão de manter sempre a casa cheia de merda não importa a dieta que eu tenha preparado. Não duvido nada que amanhã eu acorde de ressaca com ele lambendo a minha boca e esfregando seu pinto molhado em meu calcanhar. Não duvido nada.

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