11 de Setembro

Ainda lembro daquela manhã de terça-feira que prometia ser uma qualquer como tantas outras desde o momento em que apanhei minhas coisas na sala de aula e rumei pra casa. Não me lembro de agitação alguma nas ruas, toda ela estava enfurnada em cada lar naquela rua, estalando em cada consciência mundo afora.

Minha bizarra paixão por catástrofes sempre me deixou intrigado. Tenho coleções de seriados, vídeos, filmes, documentários, livros, ilustrações e estátisticas sobre cada coisa estranha nesse mundo, que vocês vão até ter medo da minha curiosidade. Aquele dia não foi diferente, fiquei durante alguns dias chocado e curioso, intrigado demais sobre os motivos que levaram pessoas a cometerem tais atos… é doloroso, cirúrgico e misterioso demais. Deixo meu material de lado pra consultar quando sinto aquele espaço na massa cinzenta, quando viajo pelo Brooklyn no Google Earth e sinto este mesmo vazio nos olhos de quem vê de lá. Depois de tantos livros e horas de materiais audio-visuais eu ainda não sei em quem acreditar, e esse sumiço do corpo do Osama este ano só reforçam minha dúvidas (?).

Não deixo de olhar, orar, investigar todas as vezes que as palavras onze e setembro aparecem juntas na mesma frase. E eu acho que eu vou morrer tentando encontrar algo mais lógico que a minha obsessão.


O melhor bar do mundo

O melhor bar do mundo fica perto de casa, pra não precisar se preocupar com Lei Seca, ônibus certo e poder gastar o dinheiro do taxi com bebida.

O melhor bar do mundo tem Malzbier de 600ml da Brahma (mas serve Itaipava e Antártica também) porque longneck não tem camisinha.

O melhor bar do mundo tem discussões calorosas sobre política, futebol e novela, amigos brigam e param de se falar para sempre até o dia seguinte.

O melhor bar do mundo tem o melhor garçom do mundo. Te trata pelo nome e você não sabe o nome dele, mas sabe que é amigo, campeão, mestre, chapa ou psiu.

O melhor bar do mundo tem ovo rosa (as pessoas nunca comem, mas gostam de saber que ele está lá e manter as opções em aberto).

O melhor bar do mundo é visitado por ambulantes vendendo amendoim, alho e outras coisas que você não precisa, mas acaba comprando porque já esta bêbado demais pra recusar qualquer coisa.

O melhor bar do mundo não é bonito nem bem decorado, mas tem um enorme TV de plasma e a melhor TV a cabo que o dinheiro pode comprar.

O melhor bar do mundo tem um banheiro razoável e não precisa de chave porque tem coisas nessa vida que não dá pra segurar.

O melhor bar do mundo sempre passa o jogo do seu time quando ele ganha, mas sempre atrai juiz ladrão quando o seu time perde.

O melhor bar do mundo tem que ter uma especialidade. O melhor caldinho de feijão, a empada que você não pode deixar de comer, o melhor frango à passarinho da cidade.

O melhor bar do mundo tem sempre os clientes de sempre (geralmente um aposentado. Comunista ou entusiasta da ditadura)

O melhor bar do mundo tem sempre alguém bebendo pra esquecer. E geralmente esse alguém sou eu.

Autora: @harpias; Fonte: Clubinho dos contos ruins.


Sick Puppies

 

 

 

Até segunda ordem, Emma Anzai é a baixista mais sexy da galáxia.


Dialética

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste…

Vinícius de Moraes

“Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”

C.F.A


Manual Prático de Visitas

Quinta-feira: aposto que quase todo mundo entra em êxtase quando ouvi isso. É nesse dia que eu também começo a diversão (sem contar a cervejada e o futebol do dia anterior, claro) mas quando piso na rua e vejo um conhecido já observo aquela fumaça preta subindo, aquela fumaça da discórdia. É sempre no dia seguinte que eu descubro toda a armação: churrasco na minha casa. Meus amigos já são peritos em me persuadir covardemente: cerveja gelada, piscina e carne berrando.

Acordo cedo, arrumo a casa, estoco alimentos na geladeira e espero meus bonecos em casa. O ruim é aquela gordurinha que sempre acompanha aquela maminha suculenta, aquele agregado que tu não esperava e que no final sempre vai te deixar com o desejo de nunca mais abrir as portas de sua casa. Eles chegam falando alto e muitas vezes não te cumprimentam. Pegam seus objetos pessoais e avaliam quanto custam, com perícia ignorante mas muito irritante. Ligam sua TV no canal de fofoca de subcelebridades. E gostam de ser fazer de coitados pois a forma com que grudam em seu notebook denuncia que eles não acessam o fotolog da vida há um mês. Formam um grupo a parte que te alivia profundamente, os ignorantes se entendem e tu não precisa se esforçar pra evitá-los, a menos que tu não precisasse do teu HD, das cadeiras, do banheiro limpo, das suas roupas de banho e de um pouco menos de poluição visual. Caro colega, você abriu um kinder ovo agora e ganhou um dica inédita: se o dono da casa não te chamou pro churrasco, não vá. Se ele gostasse mesmo de você teria te mandado um SMS ou até te cutucado no Facebook (já que isto não custa nada). Algumas pessoas não gostam de gente que fale gritando. Ninguém gosta que tu mexa no notebook ou no celular, são coisas pessoais demais e não pega bem ficar fuçando, salvo algumas exceções (se você for muito íntimo ou se o dono da casa quiser te comer). Não mexa em objetos de valor pessoal estimado: aquele isqueiro pode parecer uma velharia pra você mas tu nunca vai saber quantos o dono precisou matar pra ter aquele objeto que ele tanto gosta. E aquele narguilé que tem desenhos de caveiras e dragões que tu nunca viu um igual na vida? Se quebrar, pode apostar, vai dar merda. Ainda mais depois de você tomar toda a tequila dele, ter gritado na casa dele, usado o computador sem pedir e ainda não ter sido convidada. Eu tenho um recado novo pra tu: espero que tu morra o mais breve possível pra eu não correr o risco de te ver no próximo churrasco. É a mesma coisa de eu entrar em um quarto de debutante e pendurar absorventes no ventilador, escrever no espelho com o batom preferido e trocar o conteúdo dos frascos de cremes e perfumes. Uma bagunça dos infernos. Mas ainda tem aqueles que não ajudam em nada e ainda ficam te enchendo o saco o tempo todo te pedindo mil e uma coisas: são uns folgados malditos. Esse tipo fode com minha paciência logo também.

É bem simples, leve esse manual no seu coração e imagine todos aqueles macaquinhos bagunçando sua querida casa e tu vai saber exatamente o que fazer. Mas se tu não conseguiu se comportar, saia sem pagar a conta e nunca mais volte. Se fizer isso, eu te perdoo. Grato.

PS.: tu esqueceu um teste de gravidez no meu banheiro e nem precisa vir buscar, vou te poupar um trabalho já que tu terá muito daqui pra frente com o enxoval HAHA Adiós!


Depois

Já faz algum tempo que eu penso em desistir de ir ao show do A7X. Claro que é uma coisa maluca e incoerente, já que eu passei os últimos três anos torcendo pra que eles viessem e agora, que eu tenho dinheiro e estou de férias, a vontade de viajar pra outro estado, passar perrengue, bancar o louco, já não me é tão agradável.

Eu sempre achei que quando eu estava na EEAR o momento pós-formatura seria muito delicioso: muita gente espalhada por muitos lugares do Brasil. A triste realidade é bem diferente: muitos estão casados e outros tantos são caretas. Alguns são amigos de verdade mas estão na faculdade, na correria, nas drogas. Acho que essa é a maior decepção do meu último ano. Contei tanto com isso mas agora eu percebo que vou ter que ralar a canela pra mergulhar Brasil afora.

Sobre a música, eu não estou mais tão empolgado. Por anos foi a minha banda preferida (depois do boom adolescente que o grunge/punk provocou na minha vida). Até pouco tempo achava o som maravilhoso e os shows eram meteóricos. Acho que a minha vibe está mudando… eu penso muito antes de fazer algo em que eu não estaria confortável. E ir desbravar o centrão de SP, sozinho, sem planejamento prévio é algo definitivamente que me faria enlouquecer.

Então, eu fico aqui. Cuidando dos milhões de trabalhos da faculdade que tenho que fazer e correr atrás de minha habilitação. Aliás, acho que teria que tomar vergonha na cara e honrar minha quarta faculdade (em que entrei), eu prometi a mim mesmo que agora seria diferente.

Talvez eu me arrependa depois. Mas eu sempre lembro de “My Way” e prefiro apostar naquilo que eu acredito hoje. Eu quero ficar aqui e essa é a ficha que eu vou apostar.

Prometo que vou planejar com cuidado e fazer a viagem mais foda do século.

 


Roteiro de viagem

Data: 15 à 20 de Fevereiro.
Local: Belo Horizonte/MG.
Evento: Paramore; Cruzeiro X Estudiantes (Libertadores da América)
Expectativas: Passar a mão na bunda da Hayley e dar tapa na cara de argentino.
Realidade: Consegui contatos de quarto grau com a Hayley, nossos olhos se encararam por 2.302 segundos e minha mão passou a 28 cm da bunda dela! Uma pena, foi por pouco :D OAUEHDOUEIA Na outra noite fui à Arena do Crocodilo e vi o Cruzeiro detonar os argentinos. Fiquei louco, gritei e dei soco no ar (bem melhor que na cara daqueles fanáticos imundos). Inesquecível!

Data: 04 à 09 de Março.
Local: Arraial do Cabo/RJ.
Evento: Carnaval.
Expectativa: Odiar menos o RJ.
Realidade: A galera com quem eu ia dividir a casa era só tristeza. Me falaram que choveu que nem o capeta durante o carnaval no RJ e o povo teve que foliar de jaquetinha de couro e botina pra não afundar o pé na lama.

Data: 01 à 08 de Abril.
Local: Curitiba/PR.
Evento: Avenged Sevenfold.
Expectativa: Roda punk.
Realidade: Tive uma crise de identidade e resolvi não me aventurar. Ainda penso assim e eu quero mesmo é ver o Arctic Monkeys ou The Subways.

Data: 20 à 25 de Abril.
Local: Guarapari/ES.
Evento: CONECADES.
Expectativa: Pegar geral.
Realidade: Como a minha fiel parceira de baladas interestaduais furou o lance eu tive que gastar o dinheiro com bebidas, festas e roupas. Pra não deixá-la desanimada eu nem reclamei.


Liberta as dores

“Era um time muito engraçado.
Não tinha história, não tinha estádio.
Libertadores, não tinha não.
E pelo jeito NUNCA TERÃO!”

HAHAHA LOL


FIAT

Você deve estar pensando que agora vou fazer propaganda, ganhar uns trocados em troca de favores comerciais aqui – acha que sou do tipo que mostra o rabo em troca de alguns dólares. PORRA NENHUMA. A questão é que eu adoro propaganda e está na hora de eu rever os meus conceitos HAHA sacou?

Este é justamente o problema, eu nunca fui e não há em minha genética razões para eu ser engraçado. Não faz parte de minha natureza trabalhar pra que as pessoas se sintam mais confortáveis ao meu redor, mas sempre, sempre tem algum puto que deixa brecha pra uma piada infame. E eles estão gostando realmente disso. Levei por um tempo mas agora não dá mais – agora sou eu quem se sente deslocado.

Pra quem não sabe eu já fui punk, grunge, gótico (em uma pequena escala). Já fiz coisas terríveis e deixei várias garotinhas de dezesseis anos desoladas por aí. Sempre fui mal humorado, andava de preto, às vezes de coturno, calça jeans rasgada, fone no ouvido, boné tão cavado que ninguém conseguia ver meus olhos. Tinha um punhado selecionado de amigos. Gostava de passar noites em cemitérios, bebendo vinho e zoando com as lápides dos falecidos. Brigava com seguranças em festivais de música alternativa (ainda vou contar essa história aqui), pulava na carroceria da caminhonete e jogava as garrafas vazias de cerveja nos quintais da vizinhança. Eu era o capeta – sim, esse foi um dos meus apelidos. Mas eu tinha um pequeno defeito: eu era bom demais pra isso tudo e umas pessoas muito especiais gostavam de mim. Eu aprendi a decepcioná-las semanalmente. Eu era tão filho da puta que quando eu trabalhei na prefeitura eu tinha um cadastro particular de várias pessoas direta ou indiretamente ligadas à mim. Acontecimentos, conquistas, dados pessoais e fotografias, dentre outras. Eu apenas olhava e esperava que aquela pessoa desse um passo em falso e BANG – eu tinha tudo que eu precisava para acabar com o sossego dela HAHA era muito divertido. Aliás, ainda é.

É divertido porque eu me livrei de tudo isso. Sou o maior boa praça calçando sapatos sociais. Vou a festas de luxo, a boates super badaladas e encontro vários desses tipos do passado. As vezes comento com meus amigos: “Sabe aquele ali? É isso, isso e isso.” Ninguém parece acreditar até que eu mostro o meu valor. O melhor é quando eu faço isso diretamente à pessoa – isso tem acontecido direto quando eu fico bêbado nestes eventos – e fico contemplando sua cara de pavor por eu saber tantas coisas sobre gente com as quais eu nunca troquei palavras. É um jogo fascinante! Acredite, se tu é muito gostosa, muito sacana ou já fez algo realmente notável: você está na minha lista e eu posso te surpreender a qualquer hora! Ainda bem que hoje em dia sou praticamente inofensivo. Ou não.

É delicioso ter sempre uma carta na manga.

Foi nesse tempo que eu quis ser detetive, e consegui! Mas eu cansei disso, vou voltar com meu mau humor e ficar na minha. Vou brincar com dinheiro agora, pessoas me enjoam.

 


Ás de Espadas fora do baralho

No começo de 2009 eu já havia cometido alguns erros em minha vida mas ainda tive audácia suficiente para corrigi-los. Naquela época, eu tinha uma namorada que me amava e que havia nascido pra mim, estava tudo escrito: minha família a adorava, ela dava conselhos aos meus irmãos, tinha um gosto musical tremendo e adorava ler. Mas eu dei um jeito de estragar tudo. Eu tinha também um amigo que era companheiro pra todas as horas, ele é divertido e me ensinou um par de coisas mas eu me meti com a ex-namorada dele e perdi completamente sua confiança. Não tenho notícias dele há 09 meses. Eu havia passado da minha fase de rebeldia e quando estava maduro o suficiente para dar o valor adequado à minha família eu me mudei pro interior de São Paulo e deixei dois irmãos menores pra trás. Lá, eu iria me dar bem, me formar e conseguir me sustentar pelo menos a curto prazo. Eu aprendi a enfrentar o frio fumando e a espantar a solidão bebendo. Hoje eu moro na cidade mais quente do país e moro na mesma cidade que minha família – mas bebo horrores e fumo mais que uma caipora. Tenho problemas com relacionamentos, com o SPC, com a balança, com insônia, com a Justiça Eleitoral, com organização, com má postura, com design de interiores, com bala perdida, com limite do cartão de crédito, com empréstimo, com prazos, com internet. Isso só por cima.

Acho que tou pronto pra escrever um livro. Já tenho o título adequado: “Como ganhar dinheiro e destruir a sua vida em apenas dois anos”. Seria um arraso de críticas, e eu não estou me referindo às críticas construtivas.

Hoje eu contei tudo de errado que fiz à amiga que prezo muito. Rimos horrores. Também cobrei lealdade de quem não tem estima comigo. Aceitei convites pra encontros que não vou. E tudo isso me fez pensar – eu tenho sido um garoto levado. Fui levado ao fundo do poço quando tinha tudo pra estar no céu.  Mas eu quero construir o mundo devagar pra eu ir me acostumando.

Ontem gastei R$400 numa das boates mais badaladas de minha cidade, até agora, 24 horas depois, ainda tou com gosto de whisky na boca. Mas ontem não fumei um cigarro. Tem dias que eu fumo mas não bebo e eu sei que está errado, mas eu tou fazendo alguma coisa. E se tu voltar ao primeiro parágrafo vai perceber que este não é o único problema que estou lidando. Tudo vai começar a se resolver quando eu apartar aquele botão ali em cima: Enviar.

Essa saga não acaba aqui.


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