Efeito Jumper

Tudo que eu pude fazer nesta noite foi tomar uma lata de cerveja enquanto comia alguns espetos na avenida central. Depois, ainda não satisfeito, fui me matar numa pizza gigante que só Deus sabe como estava bom. Sem dinheiro, sem badalação. Fui pra cama como um velho à beira dos últimos dias.
Resolvi quitar aos poucos minha dívida que tenho com a própria consciencia e resolvi ver uns dos milhões de filmes que tenho no laptop. Escolhi “Jumper” e dei o play. Gostei dos efeitos, em alguns momentos tive certeza que já tinha começado a ver aquele filme. Mas decidi mesmo continuar quando vi Rachel Bilson toda boa com um ar adolescente.
O filme acabou e eu não entendi. Faltou alguma coisa, fiquei no ar, certamente vão fazer alguma continuação sem muito critério pra arrecadar uns milhões e tudo bem, em poucos dias ninguém vai mais lembrar disso. Fui dormir tranquilo mas em meio aos vários sonhos daquela noite (certeza absoluta que sonhei que eu mesmo tinha terminado aquele filme) acordei tonto e totalmente perdido:

- Cara… onde eu tou? Puxa, minha cabeça.
- Shhh, silêncio!
- Ahñ, cara, Bidom. Onde… eu tou em Guará?!
- Tá cara, tá todo mundo aqui.
- Certo, tá tranquilo.

Ainda meio atordoado, virei a cabeça e tentei voltar ao sono. Aos poucos, fui me dando conta da insanidade do que eu tinha acabado de fazer. Durante todo o domingo essa história ecoou por todo o alojamento e cada rapaz me inventou um apelido diferente. Mas sabe qual a pior parte? Eu nem tinha bebido pra valer, droga.


Across The Universe

Demorei tanto pra ver Across The Universe que não tive aquele frenesi inicial – já que a expectativa era volátil entre conselho positivos e negativos sobre o filme. Mas, graças a Deus, sou movido por curiosidade.

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Quando o filme começa já me pergunto se o cara do Blackjack canta tão bem assim mesmo. Mergulho e vejo Janis Joplin expondo psicodelia. E muitas outras situações que te fazem viajar enquanto o musical vai passando. Musical sim, e já que não temos tradição com este gênero, seria ótimo que todos vissem e daqui em diante olhasse de outra maneira este tipo de arte.
Durante toda a exibição lampejava nostalgia, afeto, esperança. Assim como Ricardo Seelig disse uma vez no Wiplash que ele precisava entender por que os Beatles eram os Beatles, comprou todos os discos de uma só vez e ouviu todos em sequência, foi o choque que ele precisava pra responder aquela pergunta. Eu tive hoje enquanto assistia ao filme, todos os choques necessários pra amar o Fab Four, algo que transcende apenas o balançar dos pés e o batucar com varetas, é como se pra cada momento da sua vida existisse uma música ideal. Lembro a primeira vez que ouvi Lucy In The Sky With Diamonds e pensava que já nasci ouvindo aquilo, talvez já tivesse feito parte de algum desenho infantil ou minha mãe ouvira durante a gestação pois certamente eu já ouvira muito aquele som. Parecia já estar inserido em meu DNA.

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Across The Universe é um filme que precisa ser visto, pelo bem da sua consciência, ao menos. Mas você também pode sair por aí cantarolando “I wanna hold your hand” ou passar um dia inteiro revirando discografias. Abaixo, um trecho do filme em que Max (divertidíssimo) protagoniza um dos melhores momentos do filme. Enjoy! :)


After Sunset

São 05 PM. Acabei de comer um sanduíche hipercalórico, mas meus braços já não estão inchados devido os exercícios da academia. Cada coisa que fazemos durante o dia nos remete novas percepções e outras sensações. Mas hoje não, pelo menos não comigo.

Depois de ver Before Sunrise e Before Sunset ontem parece que todos meus sentidos foram anulados. Sei que aquela bomba caiu no estômago, minha pele dilatou e minha face amassou, mas pra mim isso não fez a menor diferença. Longas dez horas na cama, acordei quase na hora do almoço e poderia certificar que Celine tirou aquelas palavras da minha vida:

Levou algum tempo para eu entender por que eu tinha mudado. Um dia, eu passei por um cemitério judeu. Não sei por que percebi, enquanto estava lá… que eu estava sem fazer o que costumava havia duas semanas. A TV transmitia uma língua que eu não entendia. Não havia nada para comprar. Não havia propaganda. Então, passei meu tempo caminhando… pensando e escrevendo. Meu cérebro estava descansado… livre da agitação frenética. Era como se estivesse entorpecida. Eu sentia calma interior. Não queria estar em outro lugar. Primeiro, foi um tédio, mas acabou enaltecendo minha alma.”

Quando acordei, estava ertorpecido, desde aquela incrível reação de quando eu vi o primeiro filme. Uma idéia quase intacta, quase nova. Caía fundo quando eu olhava, parecia tanto com nós mesmos! Fiquei ali, parado, olhando pra todas as pessoas ao redor, tudo suspenso numa outra atmosfera. Penso que Lost In Translation que vi durante a semana contribuiu pra esse estado profundo de percepção humana. Tenho provas, trabalhos, horários… nada disso importa. Tou bem demais pra me arriscar a perder tudo. Acho que eu ganhei um novo coração hoje.

Não é todo mundo que enxerga a vida assim, vou curtir um pouco :)


Sunrise

Antes mesmo de Before Sunrise acabar eu já queria parar pra poder escrever todas as minhas impressões. Como esse tipo de filme tão normal, apenas com diálogos, com histórias aleatórias – sem nada daquela pentelhice toda de efeitos especiais que os geeks hoje em dia prezam tanto – pode ser bom e convencer? É preciso ter mais de um ângulo, pensar em outras pessoas além de si mesmo pra poder se deixar levar pelos diálogos.

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Viena pareceu tão original, tão sozinha. Justamente o que era preciso: esvaziar a cidade pra que o foco iluminasse os atores. As vezes a tomada era feita de um lugar somente e ficava ali, com a camera parada durante minutos e a gente nem percebe, não era preciso fazer mais nada além de deixar a fita rolar. É algo assim tão 90′s, que me faz lembrar a todo instante de minha infância. Meu lugar vazio, sem parafernalhas e fogos de artifícios, apenas umas boas idéias pra gente conversar :D

Os atores são incríveis: espontâneos, passam sinceridade em seus olhos a todo momento, falam sem o medo de serem julgados. Não são superstars e não vi esfroço nenhum neles pra ganhar dinheiro – como o cara do poema Milkshake. Isso os aproximam ainda mais de nós, espectadores, nos jogando no colo a oprtunidade de fazermos um filme cada vez que vamos ao cinema, quando passeamos com nosso cachorro ou quando estamos na fila do correio. Jesse (Ethan Hawke) tem um carisma surpreendente. Sinto saudades da época que eu era assim :)

Tava vagando ainda enquanto tentava recuperar a consciência quando via uma comunidade: “Pena das crianças de hoje: Coitadas! Tão sem infância…”

Fico pensando nas pessoas que já não tem capacidade de se deixar levar pela simplicidade e que não conseguem fazer uma só noite como a melhor de suas vidas. Levam tantos anos pra perceber o que foi deixado pra trás, entram no trem e olham pela janela durante toda a viagem. Hoje pode ser o seu dia e, relaxe, não precisa ser pra sempre.


Elizabethtown

Não é preciso muitos detalhes pra me fazer desistir de um filme. Desde A Cruzada que eu acho Orlando Bloom um dos mais patéticos atores das telonas. Mas a minha paciência é quase infinita e isso foi decisivo quando decidir ver Tudo Acontece em Elizabethtown. Sim, não vou mentir que Kristen Dnust me animou mas eu quase, quase me arrependi nas primeiras cenas em que ela aparece. Mais uma vez, a paciência cuidou de tudo.

elizabethtown2

Ok. Se você ainda não assistiu ao filme, sinto muito, você não é bem-vindo aqui :) HAHA. Então, passada a primeira entediante impressão do filme começamos a cair numa cadeia de extrema espontaneidade, um dos fatores que mais fazem aproximar a arte da vida. É dificil fazermos paralelos com filmes de guerras ou programas de televisão que nos fazem milionários mas assim, com fatos repentinos da vida, com dramaticidade e com intervenções humanas amistosas, podemos lidar.

Nunca vi pessoas que mal se conhecem se falarem tanto pelo telefone. E eu mesmo – que odeio telefone – senti vontade de fazer o mesmo e ver quanto tempo consigo até sentir meu braço ou orelha doerem. Meus pais certamente gostarão desta novidade :D

Clair (Kirsten Dunst) é quem move a superfície envolvente do filme, ela te insinua a perceber o que realmente importa, e o que colocar no toca-disco enquanto o carro desliza no interior do Kentucky, enquanto que Drew (Bloom) é apenas um fantoche que é guiado pelas outras pessoas em determinadas levadas da trama. Em uma das melhores cenas, vemos um funeral se transformar numa apresentação individual de impressões e declarações pra quem já não pode saber. Se as pessoas fazem planos pra um casamento porque não fazer também para um funeral?  É tão lógico, já que é de ordem natural o segundo evento acontecer. Foi ótimo ver sapateado, incêndio e um show de rock alternativo onde erroneamente esperamos tristeza. Adorei a idéia!

Qualquer um que goste de viajar, de se perder certamente curtirá as últimas cenas quando o protagonista realiza um sonho (de outra pessoa, lógico). Tudo isso a bordo de uma trilha sonora bacana, marca registrada de Crowe. Suficiente pra fazer qualquer um se animar em pegar a mochila e cair na estrada. :)

Claire é a caridosa Amélie Poulain da América - ajudando os necessitados sem pedir licença.

Claire é a caridosa Amélie Poulain da América - ajudando os necessitados sem pedir licença.

E não esqueça a 60B! =]


Heaven’s Knight

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MERECIDO!

Patrick Verona!

“When I die, my movies will live on.”
Heath Ledger

Obrigado.


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