Tulipas
Eu lembro que começamos juntos. Estava tímido por tê-la encontrado esperta demais e isso me fazia olhar de canto. Teu objeto sempre produzia sombra, você parecia gostar e confiante corria em direção ao sol e formava sobra em nós.
De todas as garotas meigas você tinha os lábios mais suaves e condensou mistério em suas calças jeans justas apertadas com fones de ouvidos. Costumava jogar a franja de lado para esconder os olhos do sol mas não se importava que estes raios fizessem do tom da tua pele cópia legítima daquela que reflete em meus lençóis. Por isso me justifico dobrando o pescoço, sem pretensão alguma.
Seu olhar manteve-se impenetrável – angular e alinhado. Me fazia mortal. Talvez por isso nunca pude encará-lo e aceitar meus vinte anos de penitência. Por todo esse tempo eu poderia afastar seus cabelos, desalinhar sua leve maquiagem depois de uma noite intensa e te dar vodka pra matar a sede. Eu posso te dar o mundo se você quiser despir sua venda de combate.
Na sua alegria veste preto; Por que manter garrafas de leite ofuscando a lua? Sinto pelas flores que não deixei e pelo pôr-do-sol que viu sozinha.
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Devaneio
Adoro trabalhar de madrugada – fazer café, abaixar a luz e me deixar apenas que meus pensamentos me guiem sem ninguém para me atrapalhar com aquele maldito chat do facebook. Prefiro ir contra a maré, colocar os pés pro alto e não me preocupar se irei me preocupar. Curto sentir frio na pele.
Hoje, particularmente, a noite foi ainda melhor. Muito em parte motivada pela maratona da semana passada em que eu devo ter dormido umas 10 horas em 120 possíveis. Passei o dia tocando guitarra e lendo, deitado na cama e virando as páginas contra o vento forte que vinha da sacada. Adormeci e acordei atrasado mas sem nenhuma pressa, apreciei o ritual de me preparar para o trabalho: fazer a barba, pentear o cabelo de forma a diminuir seu volume e amarrar o coturno na altura certa. Poucas pessoas dão valores à detalhes tão pequenos que tanto nos relaxam.
Após o jantar me preparei para descansar (repousar antes do trabalho, acredite), e fiz quase todo o processo inverso. Relaxei na cama macia e apaguei aos poucos…
Vi aquele uniforme que ainda me dá inveja, os cabelos loiros muito soltos e curtos e algumas bolas de basquete quicando. Sentei na arquibancada pra poder soltar mais uma boa gargalhada sem pisar em falso e flutuar sobre o chão. Cabelos ondulados escondiam as sobrancelhas, aproximando, carregando sempre aqueles dentes exibidos e sinceros, deixando os meus nus. Não sentia calos nas mãos.
Após descer em direção à porta de vidro senti uma leve arrogância me olhar de lado, mas apesar de desafiador aquele longo cabelo louro-caramelo ainda exalava simpatia com leve amargor, já que ela ainda estava distante das passarelas.
Senti saudade dos risos sinceros rodeado de paredes verdes; falta das saias curtas e repicadas esguias ao vento; me perdi longe das manhãs frias e sonolentas, do amor pelas cartas. Me dói ainda ter que andar com relógios caros e pesados, e ser obrigados a encará-los várias vezes por dia.
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11 de Setembro
Ainda lembro daquela manhã de terça-feira que prometia ser uma qualquer como tantas outras desde o momento em que apanhei minhas coisas na sala de aula e rumei pra casa. Não me lembro de agitação alguma nas ruas, toda ela estava enfurnada em cada lar naquela rua, estalando em cada consciência mundo afora.
Minha bizarra paixão por catástrofes sempre me deixou intrigado. Tenho coleções de seriados, vídeos, filmes, documentários, livros, ilustrações e estátisticas sobre cada coisa estranha nesse mundo, que vocês vão até ter medo da minha curiosidade. Aquele dia não foi diferente, fiquei durante alguns dias chocado e curioso, intrigado demais sobre os motivos que levaram pessoas a cometerem tais atos… é doloroso, cirúrgico e misterioso demais. Deixo meu material de lado pra consultar quando sinto aquele espaço na massa cinzenta, quando viajo pelo Brooklyn no Google Earth e sinto este mesmo vazio nos olhos de quem vê de lá. Depois de tantos livros e horas de materiais audio-visuais eu ainda não sei em quem acreditar, e esse sumiço do corpo do Osama este ano só reforçam minha dúvidas (?).
Não deixo de olhar, orar, investigar todas as vezes que as palavras onze e setembro aparecem juntas na mesma frase. E eu acho que eu vou morrer tentando encontrar algo mais lógico que a minha obsessão.
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Sick Puppies
Até segunda ordem, Emma Anzai é a baixista mais sexy da galáxia.
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Dialética
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste…
Vinícius de Moraes
“Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim”
C.F.A
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Manual Prático de Visitas
Quinta-feira: aposto que quase todo mundo entra em êxtase quando ouvi isso. É nesse dia que eu também começo a diversão (sem contar a cervejada e o futebol do dia anterior, claro) mas quando piso na rua e vejo um conhecido já observo aquela fumaça preta subindo, aquela fumaça da discórdia. É sempre no dia seguinte que eu descubro toda a armação: churrasco na minha casa. Meus amigos já são peritos em me persuadir covardemente: cerveja gelada, piscina e carne berrando.
Acordo cedo, arrumo a casa, estoco alimentos na geladeira e espero meus bonecos em casa. O ruim é aquela gordurinha que sempre acompanha aquela maminha suculenta, aquele agregado que tu não esperava e que no final sempre vai te deixar com o desejo de nunca mais abrir as portas de sua casa. Eles chegam falando alto e muitas vezes não te cumprimentam. Pegam seus objetos pessoais e avaliam quanto custam, com perícia ignorante mas muito irritante. Ligam sua TV no canal de fofoca de subcelebridades. E gostam de ser fazer de coitados pois a forma com que grudam em seu notebook denuncia que eles não acessam o fotolog da vida há um mês. Formam um grupo a parte que te alivia profundamente, os ignorantes se entendem e tu não precisa se esforçar pra evitá-los, a menos que tu não precisasse do teu HD, das cadeiras, do banheiro limpo, das suas roupas de banho e de um pouco menos de poluição visual. Caro colega, você abriu um kinder ovo agora e ganhou um dica inédita: se o dono da casa não te chamou pro churrasco, não vá. Se ele gostasse mesmo de você teria te mandado um SMS ou até te cutucado no Facebook (já que isto não custa nada). Algumas pessoas não gostam de gente que fale gritando. Ninguém gosta que tu mexa no notebook ou no celular, são coisas pessoais demais e não pega bem ficar fuçando, salvo algumas exceções (se você for muito íntimo ou se o dono da casa quiser te comer). Não mexa em objetos de valor pessoal estimado: aquele isqueiro pode parecer uma velharia pra você mas tu nunca vai saber quantos o dono precisou matar pra ter aquele objeto que ele tanto gosta. E aquele narguilé que tem desenhos de caveiras e dragões que tu nunca viu um igual na vida? Se quebrar, pode apostar, vai dar merda. Ainda mais depois de você tomar toda a tequila dele, ter gritado na casa dele, usado o computador sem pedir e ainda não ter sido convidada. Eu tenho um recado novo pra tu: espero que tu morra o mais breve possível pra eu não correr o risco de te ver no próximo churrasco. É a mesma coisa de eu entrar em um quarto de debutante e pendurar absorventes no ventilador, escrever no espelho com o batom preferido e trocar o conteúdo dos frascos de cremes e perfumes. Uma bagunça dos infernos. Mas ainda tem aqueles que não ajudam em nada e ainda ficam te enchendo o saco o tempo todo te pedindo mil e uma coisas: são uns folgados malditos. Esse tipo fode com minha paciência logo também.
É bem simples, leve esse manual no seu coração e imagine todos aqueles macaquinhos bagunçando sua querida casa e tu vai saber exatamente o que fazer. Mas se tu não conseguiu se comportar, saia sem pagar a conta e nunca mais volte. Se fizer isso, eu te perdoo. Grato.
PS.: tu esqueceu um teste de gravidez no meu banheiro e nem precisa vir buscar, vou te poupar um trabalho já que tu terá muito daqui pra frente com o enxoval HAHA Adiós!
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Tags:amigos, penetras, sol, tequila
Depois
Já faz algum tempo que eu penso em desistir de ir ao show do A7X. Claro que é uma coisa maluca e incoerente, já que eu passei os últimos três anos torcendo pra que eles viessem e agora, que eu tenho dinheiro e estou de férias, a vontade de viajar pra outro estado, passar perrengue, bancar o louco, já não me é tão agradável.
Eu sempre achei que quando eu estava na EEAR o momento pós-formatura seria muito delicioso: muita gente espalhada por muitos lugares do Brasil. A triste realidade é bem diferente: muitos estão casados e outros tantos são caretas. Alguns são amigos de verdade mas estão na faculdade, na correria, nas drogas. Acho que essa é a maior decepção do meu último ano. Contei tanto com isso mas agora eu percebo que vou ter que ralar a canela pra mergulhar Brasil afora.
Sobre a música, eu não estou mais tão empolgado. Por anos foi a minha banda preferida (depois do boom adolescente que o grunge/punk provocou na minha vida). Até pouco tempo achava o som maravilhoso e os shows eram meteóricos. Acho que a minha vibe está mudando… eu penso muito antes de fazer algo em que eu não estaria confortável. E ir desbravar o centrão de SP, sozinho, sem planejamento prévio é algo definitivamente que me faria enlouquecer.
Então, eu fico aqui. Cuidando dos milhões de trabalhos da faculdade que tenho que fazer e correr atrás de minha habilitação. Aliás, acho que teria que tomar vergonha na cara e honrar minha quarta faculdade (em que entrei), eu prometi a mim mesmo que agora seria diferente.
Talvez eu me arrependa depois. Mas eu sempre lembro de “My Way” e prefiro apostar naquilo que eu acredito hoje. Eu quero ficar aqui e essa é a ficha que eu vou apostar.
Prometo que vou planejar com cuidado e fazer a viagem mais foda do século.
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Tags:Nightmare
Roteiro de viagem
Data: 15 à 20 de Fevereiro.
Local: Belo Horizonte/MG.
Evento: Paramore; Cruzeiro X Estudiantes (Libertadores da América)
Expectativas: Passar a mão na bunda da Hayley e dar tapa na cara de argentino.
Realidade: Consegui contatos de quarto grau com a Hayley, nossos olhos se encararam por 2.302 segundos e minha mão passou a 28 cm da bunda dela! Uma pena, foi por pouco :D OAUEHDOUEIA Na outra noite fui à Arena do Crocodilo e vi o Cruzeiro detonar os argentinos. Fiquei louco, gritei e dei soco no ar (bem melhor que na cara daqueles fanáticos imundos). Inesquecível!
Data: 04 à 09 de Março.
Local: Arraial do Cabo/RJ.
Evento: Carnaval.
Expectativa: Odiar menos o RJ.
Realidade: A galera com quem eu ia dividir a casa era só tristeza. Me falaram que choveu que nem o capeta durante o carnaval no RJ e o povo teve que foliar de jaquetinha de couro e botina pra não afundar o pé na lama.
Data: 01 à 08 de Abril.
Local: Curitiba/PR.
Evento: Avenged Sevenfold.
Expectativa: Roda punk.
Realidade: Tive uma crise de identidade e resolvi não me aventurar. Ainda penso assim e eu quero mesmo é ver o Arctic Monkeys ou The Subways.
Data: 20 à 25 de Abril.
Local: Guarapari/ES.
Evento: CONECADES.
Expectativa: Pegar geral.
Realidade: Como a minha fiel parceira de baladas interestaduais furou o lance eu tive que gastar o dinheiro com bebidas, festas e roupas. Pra não deixá-la desanimada eu nem reclamei.
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Tags:Dinheiro
Liberta as dores
“Era um time muito engraçado.
Não tinha história, não tinha estádio.
Libertadores, não tinha não.
E pelo jeito NUNCA TERÃO!”
HAHAHA LOL
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